ESPAÇO ABERTO
Socorrer os que dormem na rua
É triste constatar, nestas noites frias, que tantas pessoas em Londrina dormem nas ruas, abrigando-se como podem sob as marquises. Os invernos se repetem, e o drama dessa pobre gente parece não ter solução. Ao poder público incumbe recolher esses desabrigados e conduzi-los a um albergue, mas não se tem visto este tipo de atendimento, e se acontece não contempla a todos. O apelo que se faz é direto ao prefeito Marcelo Belinati, para que fique atento a esta questão, porque o inverno começa, e se este é um período que molesta até os bem abrigados, imagine-se então esses mal assistidos!
O prefeito está publicando nas redes sociais que vai resolver todos os problemas do município - que, segundo ele, não têm recebido a atenção do poder público "nos últimos vinte anos". Devemos ficar atentos a essa promessa, e se o propósito é sério, um bom começo será atender a essa gente que dorme ao relento. Esse serviço não pode ser adiado e pode ter início já hoje.
O número de pessoas em estado de carência tem aumentado em Londrina, como resultado, também, dos problemas sociais que afetam o país inteiro. É preocupante o número de pedintes que perambulam pela cidade, alguns porque sempre viveram nessa dependência e outros porque perderam o ganho, não encontram outro emprego e precisam sobreviver. Já se constata que muitos dos que pedem auxílio não são apenas as pessoas de aparência miserável que formam um triste contingente no panorama urbano brasileiro, mas gente de nível social mais elevado que tem de recorrer à ajuda alheia.
Mas enquanto não se pode resolver a um passe de mágica o macro problema do desemprego, voltamos por ora ao que se pode fazer no momento, que é socorrer os que dormem sobre lajes frias nas noites geladas e no desconforto em todos os dias do ano, nesta cidade cuja população, pela benesse de situar-se numa região abençoada e próspera, desfruta de um bom padrão da vida no confronto com a realidade de outros pontos do País.
Walmor Macarini, jornalista
A importância de um senador da República
As eleições de outubro se avizinham e poucos cidadãos prestam atenção na importância de se escolher o senador que, por quatro anos, vai representar o seu Estado da Federação perante o Congresso Nacional. O artigo 52 da Constituição Federal de 1988 elenca ao menos quinze atribuições de competência privativa do Senado Federal como, por exemplo: 1)processar e julgar o Presidente e o vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os ministros de Estado e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica nos crimes de mesma natureza;
2) processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do CNJ e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União nos crimes de responsabilidade funcional;
3) aprovar previamente, após arguição pública, a escolha de magistrados dos Tribunais Superiores, ministros dos Tribunais de Contas da União; presidente e diretores do Banco Central, procurador-geral da República, chefes de missão diplomática de caráter permanente que representam o Brasil pelo mundo em nossas embaixadas; 4) suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF; 5) eleger membros do Conselho da República; 6) avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e em seus componentes.
Ou seja, como órgão do Poder Legislativo, cada senador se reveste de uma gama de atribuições privativas do cargo por outorga de cada um dos seus eleitores, uma vez que todo o poder emana do povo. Portanto, cabe aqui, antes de elegermos nossos futuros representantes mediante sufrágio universal, uma reflexão sobre a advertência pronunciada pelo cônsul romano Marco Túlio Cícero (63 a.C.) contra o senador Lúcio Sérgio Catilina:
"Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem o temor do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te? Não te dás conta de que os teus planos foram descobertos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste? Oh tempos, oh costumes!"
Ricardo Laffranchi, advogado
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