O candidato ideal

Em outubro de 2018 todos os eleitores brasileiros terão nova oportunidade para eleger, para os próximos quatro anos, um presidente da República que representará a soberania da nação brasileira perante os países estrangeiros e as organizações internacionais. O candidato ideal é aquele que se apresente comprovando que, na sua vida pessoal, cumpriu as etapas da hierarquia das necessidades proposta pelo psicólogo americano Abraham Maslow.

Para tanto, o candidato deve reconhecer as suas próprias capacidades e deve ser reconhecido pela maioria dos eleitores pela sua capacidade de adequação, ou seja, atendeu à necessidade de ser respeitado por si e pelos outros. Mas isso só não basta, é preciso que o candidato ideal alcance o último degrau da pirâmide das necessidades que consiste na capacidade do indivíduo aproveitar todo o potencial de si próprio, com autocontrole de suas ações, independência de convicção (livre de subserviências político-partidárias), fazendo, com satisfação, aquilo que gosta e que é apto a fazer, no estrito cumprimento do seu dever legal, cujos limites de atuação, princípios de orientação e objetivos sociais a serem alcançados estão claramente definidos na Constituição Federal de 1988. O histórico de honestidade, evidentemente, também é requisito essencial para quem pretende se candidatar à administração da coisa pública.

Se o eleitor conseguir escolher e eleger o candidato com ao menos essas características, a nação brasileira, diante da sua força de trabalho e da sua pujança econômica (especialmente rebocada pelo agronegócio), poderá se tornar, em pouco espaço de tempo, um modelo de progresso para as demais nações capitalistas do mundo. Essa premissa de confiança no eleitor - no exercício do seu direito de escolher, livremente, o candidato ideal -, está regulamentada no parágrafo único do artigo 1º da CF/1988: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta constituição".

Todavia, o histórico de eleições, desde o advento da nova república (1985), tem demonstrado que os eleitores brasileiros não estão ainda preparados para escolher seus governantes, pois elegeram e reelegeram candidatos que, no decorrer das suas gestões, se mostraram nocivos ao interesse público e ao bem comum. Descortina-se aqui a advertência lançada, em 1883, pelo advogado Rui Barbosa (o Águia de Haia): "A nosso ver, a chave misteriosa das desgraças que nos afligem é esta e só esta: a ignorância popular, mãe da servilidade e da miséria".

RICARDO LAFFRANCHI, advogado

4 de abril: um país nas mãos do STF

O sentimento do povo brasileiro para com os três poderes é pelo menos de grande descrédito, salvo notáveis exceções dentro destes mesmos poderes. O que o País inteiro irá assistir na decisão do dia 4 não é apenas o habeas corpus de Lula, um líder populista, que arrasou o País na construção do maior esquema de corrupção que já se ouviu falar, mas também a crença, de que pessoas já condenadas em segunda instância, e com ainda inúmeros processos a serem julgados, possam enfim começar a pagar pelos seus crimes.

Lula faz parte dos corruptos investigados pela Lava Jato, que já foi condenado pela nação brasileira, e pela justiça, porém até agora nenhuma pena foi executada. Sua prisão, não é somente a prisão de um condenado, mas o significado de que neste País, ainda que tardiamente, podemos ter alguma esperança de que o crime não compensa, e que em algum momento, os políticos, mesmo com foro privilegiado, venham a fazer seu acerto de contas com a sociedade que foi dramaticamente vilipendiada pelos mesmos.

O que esperamos do STF é que sua decisão esteja em sintonia com a sede de justiça do povo brasileiro. Um povo que está sofrendo não somente o peso de uma economia que não cresce, mas também a falta de investimentos nas áreas de saúde, segurança, educação e infraestrutura, gerada por um esquema de corrupção e manutenção do poder que já dura mais de 15 anos.

O que o povo brasileiro vem perdendo é sua segurança pessoal com a perda de familiares e cidadãos inocentes, pela ascensão da criminalidade; é o emprego pela crise econômica; é a falta de assistência à saúde, pelo deficit de hospitais do Sistema Único de Saúde; mas também, e com certeza a mais importante, a esperança, ainda que tênue, de que o Brasil possa voltar a ser um país, onde nossos filhos queiram permanecer e aqui possam trabalhar e educar seus descendentes.

O que o STF vai julgar não é apenas o pedido de habeas corpus de um político, mas todo o significado que terá a aplicabilidade da condenação, sem o qual toda a operação Lava Jato cairá por terra. Porque ficará definido um possível cenário da plenária, quando voltar o tema para sua apreciação - a prisão após condenação em segunda instância - para todos os condenados da Lava Jato, presos após julgamento no referido foro.

Assim sendo, esperamos que em todo o País haja manifestação pública, sempre pacífica, reivindicando da mais alta Corte a negativa do habeas corpus e a aplicação da condenação feita na segunda instância. Que Lula, não como ex-presidente, mas como qualquer outro cidadão comum, cumpra a pena a que foi sentenciado.

WALACE KOHATA DE AQUINO, médico

• Os artigos devem conter dados autor e ter no máximo 3.800 caracteres e no mínimo 1.500 caracteres. Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: [email protected]

mockup