Saúde imaginária

A doença imaginária é extremamente nociva. Aquelas pessoas que imaginam as piores doenças para si limitam muito a própria vida e vivem sempre numa ansiedade extrema. Todos sabem disso e a hipocondria é bem estudada nas literaturas médicas e psicanalíticas há anos. Porém, o que ninguém presta muita atenção é que a saúde também pode ser imaginária e ela, também, pode ser nociva à vida.

A saúde imaginária é quando a pessoa nega seus males, sejam eles orgânicos ou psicológicos, e prefere "desconhecer" o que se passa consigo para assim não ter que se cuidar ou se responsabilizar pelas ações a tomar frente à sua condição. A ignorância é comumente mais cômoda, mas é infinitamente mais prejudicial. Lidar com a doença ou saúde imaginárias implica em se responsabilizar pela própria vida interna mental, o que sempre dá trabalho.

Ninguém nasceu sabendo cuidar de si, porém é algo que se aprende se for aberta essa possibilidade. Ficar apenas naquilo que é imaginado é uma maneira de evitar as aprendizagens da vida e de permitir que a vida e os outros decidam o desenvolvimento dos acontecimentos. Uma pessoa constantemente levada de cá para lá como um barquinho numa onda insana não tem como ser feliz.

Imaginar saúde quando ela não existe impede lidar com as realidades, muitas vezes duras, e de aprender sobre a condição humana que sempre requer cuidado e atenção. Quem imagina saúde assim se engana e se sente onipotente. Inúmeras pessoas por meio de suas defesas onipotentes negam os cuidados necessários que precisariam buscar para dar uma qualidade e dignidade melhor à vida. Quantas pessoas não negam a vacina ou tratamentos essenciais porque "acreditam" que têm tudo sob controle? Quantos se esquivam de procurar psicoterapia porque têm como certo que o que vivem não é nada demais e que é só questão de tempo para passar ou de que não precisam se conscientizar do que fazem consigo mesmo? O resultado é sempre cair do pedestal e pagar um preço mais amargo.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER, psicoterapeuta em Londrina

A responsabilidade do eleitor

Estamos a poucos dias das eleições. Dentro de alguns dias (meses) começaremos a ver e ouvir as mais diversas promessas, propostas e críticas a atos praticados e a serem praticados.

O grande problema é a memória de todos nós. Nos esquecemos de buscar na memória o passado, nos esquecemos de analisar a vida pregressa daquele em quem vamos votar, olhamos a figura simpática, ouvimos as promessas musicalmente construídas e fazemos um julgamento viciado, acreditando na propaganda e esquecendo da avaliação do todo. Se queremos evolução, se queremos progresso, necessitamos a análise da pessoa como um todo, pois assim fazendo estaremos diminuindo o risco de errar.

No momento do voto, você está dando o poder para seu candidato definir seu futuro, seu ganho, sua tranquilidade ou seu desespero. Portanto, é de suma importância que você escolha bem, faça uma análise sem vínculos emocionais, afastando inclusive sentimentos de amizade, e deixando a razão prevalecer.

É necessário, especialmente no momento em que estamos vivendo, escolher pessoas capazes, não aquelas apadrinhadas por quem quer que seja, mas que tenham demonstrado capacidade, equilíbrio emocional, sentimento de respeito ao ser humano, esteja ele ao seu lado ou não, seja conhecido ou não.

Tratar bem os parentes e amigos é muito fácil, mas fazê-lo com um estranho, ou mesmo um desafeto, apenas cumprindo o dever de igualdade, é tarefa para pessoas extremamente equilibradas, quando, mais uma vez, a razão suplanta a emoção.

Por tudo isso, pense bem antes de votar. Você está, muito mais que elegendo alguém, determinando seu futuro.

ANTONIO CAETANO DE PAULA, médico em Londrina

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