Por um mundo sem fronteiras

O globo terrestre visto do alto pelos cosmonautas foi descrito como azul e belo - uma pequena bola vagando na imensidão cósmica. Deve ter sido deslumbrante ver esta minúscula esfera bailando solitária - minúscula na relação com os demais planetas conhecidos, e solitária porque quase imperceptível perante os demais corpos celestes.

Não obstante a importância da Terra no contexto universal, trata-se de um lugarejo dentre os bilhões de moradas planetárias. Por isso não se justifica que tenha fronteiras, ainda mais nestes tempos em que as comunicações estreitaram as distâncias e podemos nos locomover, em horas, até os mais longínquos pontos do planeta. Todos de certa forma já conhecemos o mundo inteiro, se não pessoalmente ao menos por via das imagens. No dizer de Herbert McLuhan, somos uma aldeia global.

Mas os homens ergueram cercas divisórias e estabeleceram regulamentos para a entrada dos "estrangeiros" em seus redutos. Vivemos no momento o drama da entrada em massa, no Brasil, de refugiados venezuelanos e a migração das levas que, em condições idênticas, aportam em países europeus. (Louve-se que estejamos recebendo com a hospitalidade possível esses coirmãos tangidos pelo regime insano do ditador Maduro).

Felizes dos que podem receber! Pior se fôssemos nós a lhes bater na porta. E nos EUA um presidente xenófobo quer mandar de volta os denominados dreamers, que são as oitocentas mil pessoas que aportaram ainda crianças no país. (Por graça da Suprema Corte esse ímpeto acaba de ser contido, mas a ameaça persiste).

Ora, esta morada terrena é apenas uma, para todos, e não se pode monitorar o ir e vir das pessoas que a habitam. Já é uma aberração a existência de passaporte para mudar de uma sala para outra, se somos todos inquilinos neste condomínio, com direitos iguais nesta casa que nem nossa é, porque cedida pela Suprema Providência por temporário comodato. Tivéssemos nós, legalistas e ignorantes terráqueos, uma mais expandida cosmovisão, entenderíamos essa política tida como legal, mas inconcebível, de dividir a Terra em compartimentos e colocar sentinelas para guardá-los. Pobres homens!

WALMOR MACCARINI, jornalista

Liderança feminina: uma voz cada vez mais escutada

A evolução de nossa sociedade proporcionou às mulheres a possibilidade de alcançarem maior espaço no meio corporativo e nos negócios. Ainda há muito a conquistar, mas felizmente os avanços são diários. O empoderamento feminino é uma realidade fundamental a ser aceita.
No contexto empresarial, por exemplo, tenho observado que as mulheres estão galgando posições que antes só eram limitadas aos homens, mas o mais importante é que incorporam às organizações uma característica própria que é a liderança pelo diálogo e não pela truculência.
A capacidade de comunicação das mulheres é destaque sendo fruto de diversos fatores, no entanto observo uma busca intensa e contínua pelo desenvolvimento de habilidades, ou seja, por perceber que as dificuldades são maiores, as mulheres possuem uma preocupação maior em se capacitarem. Característica essa necessária para o alcance de cargos de gestão que exigem cada vez mais qualificações.
Por outro lado, um fator cada vez menos utilizado pelo mercado na contratação de uma mulher está relacionado à questão estética, uma vez que hoje as contratações estão diretamente relacionadas à qualidade profissional e à responsabilidade como profissional. Ou seja, hoje as mulheres afirmam com orgulho: "Estou aqui porque conquistei o espaço".
E essa afirmação é ainda mais condizente com a realidade já que essa valorização tem como característica aquilo que vem de dentro para fora. Ou seja, ela primeiramente percebe seu valor para depois deixar isso claro para o meio em que se relaciona. E nesse ponto a comunicação tem um papel primordial.
Além disso, nesses termos, o sexo feminino tem características primordiais que devem ser valorizadas e até mesmo copiadas pelos homens, como é o caso de uma sensibilidade mais aguçada no lidar com as situações e a intuição de saber se posicionar melhor perante as adversidades. Além, é claro, do charme e astúcia que se mostram em sua comunicação.
Porém, mesmo frente a essas qualidades é primordial que a comunicação passe por constante capacitação e ajustes, pois somente isso permitirá que a mulher dê ainda mais ênfase às suas qualidades e também aprimore e assimile novos conceitos que poderão fortalecer ainda mais a sua qualidade profissional.
Em resumo, a mulher tem enfrentado e quebrado muitas dessas barreiras, principalmente pelo seu esforço, valorizando cada vez mais estudos e especializações. Assim, por mais que muitas das mudanças passem pela conscientização de todos, um dos principais recursos favoráveis à valorização da mulher continua sendo a habilidade de se comunicar bem.

REINALDO PASSADORI, especialista em comunicação verbal e presidente do Instituto Passadori Educação Corporativa

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Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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