Espaço aberto / Quem está governando o Paraná?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de dezembro de 1996
Adalberto Pereira 
Há cerca de dois anos fui às urnas e votei em Jaime Lerner para governador do Paraná, assim com o fizeram milhares de eleitores, com a certeza de podermos contar com um cidadão que efetivamente conduzisse os destinos do Paraná com isenção e coerência e cumprisse as promessas de campanha.
Pois eu, durante mais de 20 anos, prestei serviços à Polícia Militar do Paraná e também fui eleito vereador por Londrina e, durante esses quatro anos, não tenho medido esforços para defender a PM e seus integrantes, já que os julgo merecedores do mais profundo respeito, o que também não tem faltado por parte da comunidade, reconhecedora dos relevantes serviços prestados por essa corporação em todo o Estado.
Por isso, só tenho a lamentar profundamente quando um cidadão de nome Gerson Guelmann surge publicamente pronunciando-se em nome do governador do Estado que, muito embora ausente (com muita frequência, aliás), estava sendo constitucionalmente substituído pela vice-governadora Emília Belinati, gerando com isso uma crise na Polícia Militar que culminou com o pedido de afastamento do Comandante Geral, coronel Daniel Cezar Mainguê, um profissional de conduta ilibada, fiel e dotado de uma capacidade invejável, assim como os demais oficiais da Polícia Militar do Paraná, todos possuidores de no mínimo dois cursos superiores, além das especializações feitas até fora do país.
Repentinamente, um indivíduo desprovido de respeito e sem o mínimo conhecimento do que seja ética, posiciona-se em nome do governador e até da governadora em exercício tecendo comentários ofensivos e desrespeitosos para com um profissional do nível do coronel Mainguê, como se fosse aquele o detentor de todo o poder no Estado.
Quanto ao secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, este em nenhum momento tomou posição contra ou a favor, talvez ainda traumatizado pelo atentado sofrido há alguns meses (que ainda não está muito bem esclarecido e do qual ninguém fala mais nada. Estranho, muito estranho!).
Como político e oficial da reserva da Polícia Militar, muito me preocupa uma atitude como essa do cidadão Gerson Guelmann, pois me leva a uma pergunta embaraçosa: afinal de contas, quem está governando o Paraná? Levados em conta os últimos episódios registrados na Polícia Militar do Paraná, certamente que não é o senhor Jaime Lerner, a quem dei meu voto, porque nenhum governante deixa o Estado nas mãos de um ilustre desconhecido que além de não respeitar uma instituição oficial, ainda se acha no direito de dar declarações grosseiras, gerando todo esse clima de revolta na Polícia Militar, não só entre oficiais da reserva como equivocadamente declarou, mas em todos os seus integrantes, que têm no coronel Mainguê um exemplo de comandante correto e digno.
Deixo aqui um apelo ao governador Jaime Lerner: quando o senhor deixar o Estado (como tem feito com muita frequência), não se esqueça de deixar bem claro que sua substituta legal é a senhora Emília Belinati, sua vice-governadora, e não o senhor Gerson Guelmann. Caso contrário, o senhor corre sérios riscos de repentinamente encontrar nosso Estado ingovernável, mesmo porque indivíduos que agem tresloucadamente comprometem muito. A história do Brasil tem muitos exemplos a não serem seguidos. Para quem almeja ser presidente da República é necessário saber primeiramente cercar-se de auxiliares capazes de somar, e não de áulicos que semeiam discórdia e o descontentamento.
Como diz o ditame popular: aquele que fala o que quer está sujeito a ouvir o que não quer!
- MAJOR ADALBERTO PEREIRA é vereador em Londrina


