Na história da ocupação do Brasil pelos portugueses e complementada com a ocupação do Sul e Sudeste pelos povos europeus, a população brasileira assentou-se na costa leste, irradiando-se para o oeste, antes e depois de 1500. Nas décadas de 1930-60 houve a ocupação das terras do Paraná - história por nós conhecida. Dois fatos importantes ocorreram em seguida: a migração dos gaúchos para o Centro-Oeste e a Fundação da Embrapa (1970) no governo militar pelo ministro Alysson Paulinelli - marco divisor para o agronegócio brasileiro.

Nesse tempo, já estudioso da reforma agrária, antevi um momento importante para "colonizadoras" contribuírem na ocupação do território brasileiro, em sua extraordinária diversidade de solos, de matas e cerrados - abrindo espaços aos filhos de produtores, cujas terras eram insuficientes para o sustento da família. Importante instrumento para o êxito dessa colonização eram o crédito Fundiário - Manual de Crédito Rural (MCR), Banco Central, capítulo 6, e o cooperativismo. Era a forma mais inteligente e pacífica de reforma agrária.

O crédito fundiário era concedido para aquisições diretas - compradores adquirindo de proprietários - e contemplava produtores, técnicos e demais interessados, de forma transparente e sem necessidade de invasões. O crédito era concedido para o produtor, hipotecando a área adquirida, com vínculos de responsabilidade e juros subsidiados.

O projeto técnico, indispensável, baseava-se na aptidão das terras e capacidade do produtor, com acompanhamento técnico da produção. A análise financeira definia a carência e o tempo necessário para amortização das parcelas, com prazo de até 20 anos. O custo/família assentada sempre muito menor que os valores gastos através do MST. Magicamente, esse extraordinário instrumento do MCR foi retirado pelos governos de esquerda e, depois, transfigurado no capítulo 18 - que trata do credito fundiário para os interesses do Ministério do Desenvolvimento Agrário, privilegiando os "movimentos organizados" e retirando da pauta as tradicionais colonizações que integraram o território brasileiro.

O formato adotado pelo MST tem levado a absurdas invasões de áreas privadas ou públicas - produtivas -, passando por cima do histórico particular de cada caso, instigando o ódio, a desunião, a instabilidade e o desrespeito.

No caso da recente invasão da Fazenda Figueira - da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiróz -, paralisaram trabalhos de pesquisas (doutorado e mestrado) da UEL, UEM e da Esalq - além das pesquisas da própria Fealq. A fazenda Figueira é modelo para o Brasil. A área foi objeto de doação do dr. Alexandre Von Pritzelvich (Barão) para a Fealq por gratidão à sua formação de engenheiro agrônomo pela USP e por não ter herdeiros descendentes. Atitude exemplar. Essas invasões contemplam o projeto político de poder do PT & Foro de São Paulo com o pretexto das "pressões sociais" que não abrigam, necessariamente, produtores sem-terra. São cadastrados cidadãos sem qualquer convívio no meio produtivo rural. Atendem, sim, os preceitos revolucionários do Foro de São Paulo - criados por Lula, Marco Aurélio, Dilma e parceiros bolivarianos -, cujo objetivo é socializar a América do Sul.

A verdadeira reforma agrária, com paz no campo, poderia se dar nos moldes do crédito fundiário do antigo capítulo 6. O sem-terra compra de quem quer e precisa vender, com o título definitivo vinculado à finalização dos pagamentos. Essa é a reforma agrária para todo o Brasil, com custo baixo para o governo e sem qualquer tensão social. É democrática, transparente e produtiva - onde o pequeno produtor será mais um agente do agronegócio brasileiro.

SAMIR CURY é engenheiro agrônomo em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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