ESPAÇO ABERTO- Ainda é possível fazer algo?
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segunda-feira, 13 de outubro de 2003
Tarcísio Vanderlinde 
No último domingo comemorou-se o Dia da Criança. Logo na sequência, 15 de outubro, comemora-se o Dia do Professor. Professores que atuam, principalmente, no ensino fundamental e médio sabem o quanto estas datas se relacionam. Já não é mais tão fácil ser professor nestes tempos em que a profissão se encontra tão desvalorizada. As exceções apenas confirmam a regra. Coisas consideradas ''mais importantes'' entraram na ordem do dia e numa concorrência desleal vivem colocando o professor contra a parede. Agora, além de pagar mal, ameaçam transformar o professor num distribuidor de camisinhas para os adolescentes que vão à aula.
Uma pesquisa realizada em São Paulo, indica que professores na faixa dos 20 aos 30 anos, ou seja, os que ingressam na profissão na escola pública não chegam a 10% do contingente geral. A sociedade pode refletir sobre isto e tirar suas próprias conclusões. Nestes tempos modernos, algumas profissões só permanecem por teimosia. Será que a profissão de professor não se encontra nesta lista? Será que existe algum caminho ainda possível de ser construído em meio a estas circunstâncias? Muitos acham que não. Alguns teimosos acreditam que ainda é possível fazer algo.
A violência tem atingido níveis que fazem muitos jovens sentirem-se ameaçados se não pertencerem a alguma gangue. A irreverência, assim como a violência está na moda em toda a parte. Os professores devem estar com saudades daqueles tempos em que a irreverência se resumia a mascar chicletes e depois colá-los embaixo das carteiras. Não causa mais surpresa a presença da polícia nos corredores das escolas, ou mesmo revistando alunos dentro das salas de aula. Por motivos fúteis professores e alunos são assassinados. E, sobre isso, quase sempre temos muito mais perguntas que respostas.
Uma revista de circulação nacional, em edição recente, aplicou um teste para verificar o perfil adequado para pais. As alternativas com maior pontuação apontam para atitudes de autoridade saudável, indicadas como as ideais para os nossos tempos. A pesquisa apontou que procedimentos que foram adequados às outras épocas podem ainda ser aplicados com eficiência em nossos dias. O psiquiatra Içami Tiba não se cansa de dizer que ''quem ama educa''.
Pais, precisam voltar a falar com os professores sobre seus filhos se quiserem que as coisas melhorem um pouco. Nestas conversas poderão ser lembrados que assuntos como responsabilidade, respeito, dignidade, lealdade, podem ser ensinados em casa e não carecem de tecnologia avançada para serem desenvolvidos. Pode ser relembrado que a família continua um local preferencial, para desenvolver estes hábitos e que os adolescentes sentem-se bem com regras definidas e limites bem estabelecidos. Que é preciso olhar mais nos olhos deles e desenvolver confiabilidade mútua. Que é preciso colar neles, como diz aquela música. Eles terão tempo para andar sozinhos mais tarde.
É preciso que pais e professores se encorajem mutuamente para reconstruir juntos caminhos possíveis de serem trilhados em meio às perversidades contemporâneas. É preciso descobrir que ter tempo para curtir os filhos/alunos e não se justificar tanto para ficar longe deles, brincar com eles, estimulá-los e correr com eles atrás de seus sonhos, pode levar a resultados positivos surpreendentes. Talvez possamos constatar, então, que em plena explosão das infovias, pode-se perceber que a luz que permanece nas trilhas onde nossos pais e avós andaram, apesar do desgaste ocasionado pelo tempo, ainda serve como referência e aponta caminhos possíveis, tendo espaço na agenda de professores, alunos, pais e filhos nestes tempos delicados.
TARCÍSIO VANDERLINDE é professor da Unioeste no Campus de Marechal Cândido Rondon


