O grande diferencial da profissão médica é lidar com a vida humana no seu aspecto mais essencial: a saúde. É a constante luta contra a dor e a morte, sendo, em muitas ocasiões, um verdadeiro sacerdócio.
Considerando que a formação profissional de um médico exige significativa dose de dedicação pessoal, é lamentável percebermos que tal capacitação não tem sido devidamente valorizada por nossos gestores de saúde, principalmente no que tange à importância da atividade médica e seu papel na sociedade.
As consequências deste enfoque reducionista da atuação médica atingem também aspectos de sua remuneração. Desde o início do Plano Real, em 1994, a classe médica não tem qualquer reajuste em seus honorários, enquanto a inflação deste período ultrapassa a taxa de 200%. Neste mesmo período, os preços dos insumos e equipamentos médicos tiveram um aumento de aproximadamente 300%.
Enquanto os profissionais da área continuam sendo pagos por uma lista antiga e defasada, datada de 1992, com consultas remuneradas entre R$ 20,00 e R$ 36,00 os planos de saúde sempre conseguem repassar seus custos e obter autorização para aumentar as suas mensalidades.
Esta situação afasta a profissão médica dos seus objetivos mais importantes: promover e assistir a saúde das pessoas e não ser objeto de comércio das empresas da área da saúde.
Em busca de solução, foi elaborada uma classificação referencial dos procedimentos, sob orientação técnica da Fipe, visando readequar honorários profissionais. Foi estabelecida tendo como foco a parametrização do trabalho médico, considerando em sua composição o tempo dispendido, o nível de conhecimento, a complexidade das doenças e os riscos inerentes à atividade, colocando todo o trabalho médico em uma relação hierarquizada e justa.
A ''Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos'' é considerada, por meio da resolução nº 1.673/03 do Conselho Federal de Medicina, como padrão mínimo e ético de remuneração dos procedimentos médicos.
O dia 11 de novembro foi escolhido como o ''Dia Nacional de Mobilização'' para a implantação desta classificação para que as entidades médicas, em conjunto, venham a público denunciar as dificuldades que regem as relações entre médicos, planos de saúde e Agência Nacional de Saúde Suplementar.
Esperamos, com isto, poder atingir um novo ponto de equilíbrio nas relações com os planos de saúde, valorizando o trabalho médico e otimizando a assistência aos 35 milhões de brasileiros usuários dos planos de saúde, sob os conceitos de zelo, ética e humanização do atendimento médico.
CLÁUDIO L. PEREIRA DA CUNHA é presidente da Associação Médica do Paraná, DONIZETTI GIAMBERARDINO FILHO é presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná e MÁRIO A. FERRARI é presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná

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