ESPAÇO ABERTO - Voto nulo é voto em Belinati
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de outubro de 2004
Vânia de Arruda Mendonça Rodrigues 
Votar nulo nestas eleições é o mesmo que votar no ex-prefeito cassado, Antônio Belinati, que venceu o primeiro turno das eleições. Belinati tem um eleitorado cativo com o qual mantém uma relação emotiva baseada no mito do ''prefeito do povo'', próximo do mito do ''pai dos pobres'', construído ao longo de 14 anos de mando em Londrina. De pouco vão adiantar os argumentos e os apelos à memória. Belinati sai de um patamar consolidado de, no mínimo, 35% dos votos para disputar a reta final das eleições.
Já o prefeito Nedson, eleito nas urnas para enfrentar Belinati, depende não só dos seus votos do primeiro turno (27%) para conseguir a vitória. Depende dos votos dos eleitores de seus concorrentes, em especial dos eleitores de Hauly, Barbosa e Elza. É o chamado voto útil anti-Belinati, de rejeição aos escândalos de corrupção. O preocupante é que há uma tendência minoritária de voto nulo no seio desse eleitorado. O raciocínio é simples: quanto mais eleitores votarem nulo, menores as possibilidades de crescimento de Nedson e maiores as chances de eleição do ex-prefeito cassado. Trocando em miúdos: voto nulo é voto em Belinati.
A intenção de voto nulo se subdivide em dois tipos nestas eleições. O primeiro, de natureza passional, é o voto nulo daqueles eleitores desapontados com a recente derrota de seus candidatos no primeiro turno. Essa manifestação pode, e deve, ser questionada diante da ''alternativa'' Belinati, mas não podemos considerá-la ilegítima, pois se trata de legítimo exercício da cidadania. Não fosse assim o eleitor não teria a opção de anular o voto na urna eletrônica. De resto, com a proximidade da hora da decisão e a possibilidade real de Belinati voltar à prefeitura, o voto nulo pode ser convertido em voto útil em favor de Nedson.
O segundo tipo de voto nulo, por outro lado, é conspiratório, antidemocrático e nocivo para o futuro de Londrina. É o voto que não ousa dizer o seu nome. Apregoado em razão de um desapontamento com o governo Nedson, e que esconde interesses particulares e político-partidários, com pitadas de vaidade e rancor.
A turma do voto nulo ''mascarado'' está de olho na sobrevivência política e nas próximas eleições para governador, senador e deputados em 2006. O raciocínio é simples, porém indigente: se Nedson permanecer na prefeitura, a trincheira contra o populismo e a corrupção não tem mais razão de ser e o embate político em Londrina se torna mais difícil, já que o prefeito e o PT saem bastante fortalecidos das urnas. Se, ao contrário, Belinati vencer, a bandeira da moralidade de ocasião volta a ser reerguida, a cidade entra em clima de instabilidade e disputa política acirrada, ambiente propício para potencializar candidaturas.
E Londrina nessa história? ''Ora, Londrina nos negou a chance de voltar ao poder, que ela, então, pague o erro com a volta de Belinati'', vaticina a má consciência dessa gente. Por isso, os defensores desse tipo de voto nulo conspiração e seu gesto deturpador do sentido de uma eleição precisam ser desmascarados. Os falsos obstáculos precisam ser removidos do caminho. Porque a grande questão colocada para os londrinenses é: a quem vamos entregar o governo da cidade? A Nedson ou a Belinati?
VÂNIA DE ARRUDA MENDONÇA RODRIGUES é advogada em Londrina


