A notícia do retorno às aulas presenciais tem sido divulgada por inúmeros meios de comunicação, e, no dia 10 deste mês, a Secretaria de Educação e do Esporte (Seed) finalmente comunicou que, em 68 municípios, 200 escolas estaduais (de um total de 2.117) que atendem à segunda etapa do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e o ensino médio tiveram liberado o retorno às aulas presenciais de forma híbrida.

Mas, afinal, o que é ensino de forma híbrida? De forma simples, parte dos alunos assiste às aulas presencialmente e outra parte assiste de forma remota por meio de computador, notebook, celular ou tablete, exigindo acesso à internet. Contudo, para que isso ocorra de fato, as tecnologias devem estar disponíveis tanto para as escolas quanto para os estudantes, pois de nada adianta apenas uma das partes estar preparada.

Outro aspecto a considerar são as 5.461 unidades educacionais que realizam atendimento para a educação infantil e para a primeira etapa do ensino fundamental (1º ao 5º ano) nos 399 municípios do Paraná. Será que essas unidades estão preparadas para implantar o ensino de forma híbrida?

É preciso registrar que a maioria das 2.737 escolas privadas do Paraná passa por problemas para realizar o trabalho de forma híbrida, apesar de algumas aparecerem em veículos de comunicação como exemplo de que o retorno às aulas presenciais é possível. Isto ocorre porque as condições efetivas de trabalho por meio de tecnologias não estão presentes, assim como na realidade pública.

Então, após um breve retrato do sistema estadual de ensino, é preciso questionar se as condições efetivas ao retorno do trabalho pedagógico estão realmente presentes para as unidades educacionais. E a resposta, levando em consideração apenas o aparato tecnológico, infelizmente é negativa.

Considerando outros argumentos, ainda é preciso avaliar todos os protocolos de saúde, destacando-se o distanciamento social. Caro leitor, você conhece a realidade do espaço físico da sala de aula que seu filho (a) frequenta? Se sim, e pensando nessa realidade como parâmetro, você acredita que será possível o trabalho de forma híbrida? Qual será a dinâmica que o professor adotará para atender os estudantes em sala de aula e os que estão em suas residências? Não há respostas padrão.

Estamos bem próximos da vacinação dos professores paranaenses para refletirmos se realmente é o momento de abandonarmos o trabalho com atividades pedagógicas remotas e retornarmos às escolas de forma presencial, mesmo que de forma híbrida. É preciso considerar a proteção da vida como maior valor à continuidade educacional, e válida para todos que fazem parte da comunidade escolar: estudantes, profissionais da educação, pais, familiares e amigos.

Marcos Aurélio Silva Soares é mestre em Educação e coordenador de Cursos de Pós-Graduação na área de Educação do Centro Universitário Internacional UNINTER

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