ESPAÇO ABERTO - Vocação populista
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 2004
Raphael do Rosario 
Londrina é uma cidade singular. Sobreviveu ao declínio de sua antiga característica cafeeira, nunca possuiu grandes arroubos industriais, viveu sempre em meio a crises financeiras nacional; somando tantas outras dificuldades intrínsecas, soube desenvolver-se o suficiente a ponto de chegar a colocação de segunda maior cidade do Estado do Paraná.
No entanto, em matéria política a gente dessa cidade pende ao tradicional, ou seja: uma vocação inerente ao populismo. Sejamos claro: Londrina está sob a experiência de uma administração realmente democrática, aspecto irrefutável. No entanto essa administração parece não despertar no povo uma simpatia que outras administrações, mesmo terríveis sob todos os pontos de vista possíveis, souberam despertar. Talvez isso ocorra porque a figura do prefeito Nedson não seja agradável ou porque este não seja apegado a discursos fáceis e de ''apelo popular''; e sua administração, voltada a uma política de saneamento financeiro e moral da cidade, ''deixa a desejar'' para muita gente. Ou, quem sabe, esse modelo de administração, mesmo bom, cansa, é enfadonho, não serve para grandes enredos, não dá matéria a discussões interessantes, etc. e tal.
O fato é que, se os novos modelos administrativos não agradam, os antigos são péssimos e carecem de ser refutados. Antigas fórmulas administrativa destrutivas que insistem em retornar ao poder precisam ser rechaçadas. Principalmente seus ícones, como por exemplo, Antônio Belinati, protótipo do político populista absurdamente cínico.
Não lembraremos as antigas fórmulas das administrações ''belinatianas'', deixaremos ao leitor e sua memória o peso de uma reflexão que apontara um desfecho no mínimo bastante severo à respeito delas. O que lembraremos é o seguinte: uma sociedade democrática é sustentada através de atos responsáveis, mesmo quando estes saem de um gosto popular. E lhe é necessário a participação em massa de seus cidadãos, discutindo e apontando problemas e possíveis soluções. A figura do político isolado em seus pares é atrasada e imprópria para a sociedade moderna.
Daí a necessidade de refutar o passado, de ver o presente e o futuro da cidade. Observar que sendo singular em seu desenvolvimento econômico, por que não agir da mesma forma no campo político? Por que querer retornar a um passado tão impróprio?
RAPHAEL VINÍCIUS DO ROSARIO é formado em Letras pela Universidade Estadual de Londrina


