Há quase quatro anos o ex-prefeito Antônio Belinati teve cassado o seu mandato de prefeito pela Justiça e chegou mesmo a ser preso por diversas acusações de corrupção e pelo desvio de dinheiro público. É impressionante como depois de tanto tempo o mesmo ex-prefeito (cassado) Antônio Belinati volta à cena pública como candidato preferido pela população.
Belinati ressurge como um grande herói popular, um verdadeiro ídolo que deve ser imitado pelos filhos de nossa sociedade. Os nossos filhos devem ser assim: espertos, saber utilizar os dispositivos burocráticos do Direito para se desfazer de acusações e protelar processos com a finalidade de se darem bem na vida. Afinal, o que interessa é isso: fazer o que for preciso para se dar bem.
Valores éticos, morais? Isso são apenas instrumentos para se fazer demagogia e ganhar o carisma do ''povo''.
Não raro, é possível ver o ex-prefeito (cassado) nos meios de comunicação. Não, é claro, para explicar o que foi feito dos milhões de reais provenientes da venda das ações da Sercomtel; não para explicar as denúncias de corrupção nos casos Ama/Comurb que o levou a passar diversas dias na prisão; não para explicar outras dezenas de processos que estão parados na justiça; mas, para dar lições de moral, apontar erros e problemas que afligem a sociedade londrinense. Se colocando novamente como o grande salvador, valendo-se das angústias da população, do desemprego, da fome, da criminalidade, para formular discursos populistas de grande comoção e, acima de tudo, muito eficientes do ponto de vista eleitoral.
Mais do que a impunidade, a morosidade e a ineficiência dos dispositivos legais têm conduzido à valorização das práticas ilegais. O que essa sociedade valoriza, não é o status, a posição social, a capacidade de consumir de cada indivíduo? Claro! E qual o melhor caminho pra se conseguir isso? É fácil: basta valer-se de seus conhecimentos, de suas capacidades, amizades, influências e, se puder, do aparelho público. Tudo isso a favor do seu projeto pessoal. Ou seja, o que importa é ficar rico, ter poder. A qualquer custo!
E você pergunta: mas vale à pena? Claro que vale! Quem é punido? Aquele que vive uma vida inteira de maneira modesta, no anonimato, muitas vezes passando dificuldades, ou aquele que transgride, corrompe, desvia com genialidade sob a sublime certeza da impunidade?
Mas e os valores morais e religiosos, onde estão? Para os ''espertos'' tudo o que importa é o poder e a ascensão financeira. A religião, a moral, são instrumentos de dominação e meios para se atingir a confiança do povo. Belinati é um homem que pode zombar da nossa inteligência pois, apesar de todas as acusações que recaem sobre ele, nunca foi julgado. Está impune há quatro anos.
Diante do favoritismo de Belinati para as eleições de 2004 podemos formular a seguinte palavra de ordem: o crime compensa! Abaixo os valores morais! Viva a impunidade!
GIVALDO ALVES DA SILVA é sociólogo professor universitário em Londrina

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