ESPAÇO ABERTO - Visão de um holandês sobre o Brasil
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terça-feira, 25 de janeiro de 2005
Jiri Lausman 
Sou um holandês casado com uma londrinense e que mora em Aruba. Durante minha visita ao Brasil este ano fiquei impressionado pelo enorme crescimento da economia brasileira. O prestígio do Brasil está aumentando dia-a-dia e os brasileiros são recebidos de braços abertos em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o respeito para os americanos internacionalmente está diminuindo cada dia mais. Infelizmente, muitos brasileiros não estão aproveitando como deveriam. Posso apostar que a maioria dos brasileiros que visitaram parques nacionais nos Estados Unidos nunca viu o magnífico cânion de Itaimbezinho no Rio Grande do Sul.
Uma coisa que não entendo é como o Brasil pode ter um crescimento tão grande usando para transporte em distâncias enormes somente caminhões, uma maneira pouco econômica. Todos os outros países grandes do mundo dispõem de uma extensa rede de ferrovias. Os produtos do Brasil são de boa qualidade e os aviões da Embraer são exportados com êxito também para os EUA. Tanto é que a primeira fábrica de aviões do mundo, a Fokker na Holanda, teve que fechar as portas.
Apesar disto, os brasileiros, ao contrário dos holandeses, parecem ainda estar fascinados pelos EUA. É ridículo ver nomes como Sun Lake, Royal Park Residence & Resort e tantos outros, enquanto condomínios dos EUA levam nomes espanhóis. O mais conhecido campo de golfe e condomínio do Caribe, em Aruba, usado por americanos chama-se Tierra del Sol e não Sun Land.
O tão conhecido brasileiro amável e cordial, aos meus olhos, transforma-se em uma pessoa sem cortesia em duas situações: telefonando e dirigindo. Quando um brasileiro liga para alguém não diz seu nome como normalmente se faz na Europa e ainda pergunta ''quem fala?'', tornando isso quase um insulto aos olhos de um europeu. No trânsito, ninguém respeita os pedestres nas faixas, caminhões ultrapassam em plena faixa dupla amarela e nas curvas.
Por outro lado, na Holanda se é atendido nas lojas tão agradavelmente como no Brasil. É interessante que na Holanda nem famílias ricas têm empregada doméstica. Lá também não se encontra banheiros gratuitos e limpos como aqui nas rodoviárias, restaurantes e lojas. Nem se encontra ainda a famosa prática e gostosa comida por quilo. Por falta de terra o holandês não tem a possibilidade, como o brasileiro, de mudar de apartamento na cidade por motivo de segurança para um condomínio fechado.
Nas festas de fim de ano estive em Santa Catarina e deparei com a romântica Praia de Camboriú transformada numa selva de concreto. Ao mesmo tempo em que se constróem novos edifícios gigantescos, a areia da praia está ''comida'' pelo mar e em alguns lugares chega até a avenida.
Depois de minha experiência com a coleta do lixo em Londrina, onde sacos plásticos são expostos em um pedestal metálico em frente de cada casa, também em luxuosos condomínios, fiquei agradavelmente surpreso que em Camboriú o lixo é posto em recepiente plástico. Porém, para minha surpresa, dois trabalhadores esvaziavam saquinho por saquinho dentro do caminhão, sendo que no mundo inteiro os recepientes são levantados e esvaziados mecanicamente.
Numa outra praia de Santa Catarina, um luxuoso condomínio que foi construído ao lado de um esgoto aberto, anteriormente um ribeirão, leva água contaminada para o mar e a areia da praia onde crianças brincam alegremente.
JIRI LAUSMAN é engenheiro holandês aposentado e residente em Aruba, no Caribe


