ESPAÇO ABERTO - Vida sim, maconha não!
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sexta-feira, 08 de julho de 2011
Dom Orlando Brandes <br> <br> 
Vivemos num mundo pluralista. Isso requer de todos nós abertura ao diferente, ao diálogo, à procura da verdade. A ética, porém, não pode ser relativizada e até banalizada. Grandes são as lutas da medicina, da educação, das religiões e das famílias a respeito do cigarro, do álcool e das drogas.
Renomados médicos, educadores, pesquisadores sempre nos ensinaram que a maconha é nociva, é porta de entrada para as outras drogas. Governos, religiões, ONGs, militares fazem um trabalho admirável no combate às drogas e organizam centros de recuperação dos dependentes químicos. Somos testemunhas da recuperação destes dependentes até nas cadeias.
Agora, em nome da liberdade e da modernidade a bandeira da legalização da maconha entre nós organiza marchas, estudos, debates. Como pode ser livre quem é escravo de um vício? Como podemos copiar o exemplo dos países que liberaram a maconha, sabendo que são eles mesmos os maiores consumidores de drogas pesadas? A rota da droga tem um rumo: a Europa e outros paraísos da ilusão. Não podemos nos nivelar aos países de decadência moral que estão envelhecendo e nem sequer geram novas vidas.
É verdade que a repressão não é o único nem o melhor caminho para o combate às drogas, porém, a liberação da maconha só pode contribuir para o aumento dos vícios e da delinquência social. A maconha é um mal, é uma droga, é perigosa. Além disso, a população brasileira, o nosso povo, não está em condições de aprovar a legalização desta droga e desaprova as marchas que é imposição de uma minoria. O Brasil precisa de outras bandeiras como o respeito pela vida, a defesa da família, o combate à corrupção, a elevação dos pobres, a luta pela saúde e pela ecologia.
A maconha é um assédio e atração para o vício, para a dependência, rumo ao fundo do poço e ao abismo. Não há droga suficiente para preencher o vazio e o poço sem fundo das pessoas feridas pela família, pela política, pelo consumismo e afastadas de Deus. Não se resolve problemas humanos apenas com legislações liberais, mas com ética e educação. Temos muitas razões para o combate à maconha.
Somos pessoas de esperança. Cremos na recuperação do ser humano. A fé remove as montanhas das drogas e recria vidas. Nossa Fazenda da Esperança recebeu reconhecimento pontifício e foi um ponto alto da visita do Papa Bento XVI, ao Brasil. Temos a pastoral da sobriedade e uma infinitude de comunidades terapêuticas. Todas estas entidades comprovam que a maconha é nociva e destrutiva. A longa experiência do padre Haroldo Rahm com a Escola do Amor Exigente e com ele milhares de pessoas apontam caminhos de recuperação dos dependentes. Não podemos ser reféns de uma minoria liberal e sedutora.
É ridículo ouvir autoridades políticas, judiciais, fundamentarem a legalização da maconha na religiosidade do Santo Daime, nos costumes indígenas e nos países secularizados em franca decadência moral. Paulo VI dizia que ''os maus são atrevidos e os bons são acanhados''. Estamos caminhando a passos largos na direção do fim da atual civilização. Tudo em nome da modernidade e da ditadura do relativismo. O desenvolvimento humano deve ser integral, portanto, não só econômico e social, mas também ético e espiritual.
Não podemos supor que a liberação das marchas pela legalização da maconha seja apenas a conquista da liberdade de expressão. O que está por trás é a propaganda e a comercialização da droga. Já temos tantos jovens e adultos anestesiados pela política e pela mídia, por que anestesiá-los com a maconha? Não podemos defender a liberdade para facilitar o império do mal. Vida sim, maconha não. Entre dois males, devemos escolher o mal menor.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


