ESPAÇO ABERTO - Vestibular da UEL
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
Silza Maria Pasello Valente 
No momento em que o novo vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) se consolida e é elogiado pela comunidade, que nele reconhece aspectos pedagógicos importantes, necessário se faz relembrar a atuação da professora Ana Ito, titular da então Coordenadoria (CAE) hoje Pró-Reitoria de Graduação, no período 1998-99, com o fito de diminuir resistências e obter consensos a fim de concretizar o sonho de ter a UEL um processo seletivo autônomo.
Em sua gestão exerci o cargo de diretora de Apoio à Ação Pedagógica da CAE e de responsável pela área pedagógica da Copese (Comissão Permanente de Seleção) e participei da gênese de um processo seletivo original, dialógico e coletivo. O ponto de partida foi o entendimento de que o vestibular vigente necessitava ser alterado em função das competências exigidas aos estudantes de nível superior e o fato de o mesmo estar consistindo em empecilho para o desenvolvimento de uma ação pedagógica do Ensino Médio que possibilitasse a formação de alunos reflexivos.
Um dos primeiros passos consistiu na aplicação de um questionário aos coordenadores dos cursos solicitando que apontassem as competências necessárias aos estudantes de nível superior e não-evidenciadas pelos alunos. As respostas indicaram que são as capacidades do leitor competente: ler, interpretar e produzir textos. Além disto, era desejo da reitoria e de parcela da universidade que a UEL assumisse a elaboração do seu vestibular.
Foram, então, sendo desencadeadas as ações necessárias para a transformação do processo seletivo com plena consciência de que as mudanças deveriam ser implementadas paulatinamente a fim de que as escolas de nível médio pudessem se adaptar às novas exigências e para que a UEL desenvolvesse competências pedagógicas e operacionais para desempenhar tão exigente tarefa. As diretrizes estabelecidas pela CAE e a Copese, foram no sentido de que o vestibular passasse a ser elaborado de forma a possibilitar aos estudantes do Ensino Médio o desenvolvimento das competências privilegiadas pelas discussões e reformas ocorridas no campo educacional e contempladas na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e nos Parâmetros Curriculares do Ensino Médio.
A par com as definições pedagógicas: questões contextualizadas privilegiando capacidades mentais diferenciadas em vez da memorização, produção de textos variados, provas reflexivas, vestibular em duas fases - uma geral e interdisciplinar e outra voltada para a natureza do curso pretendido; foram tomadas medidas operacionais: alteração da estrutura da Copese e parceria com a Universidade Federal do Paraná visando o desenvolvimento de uma estrutura adequada às novas exigências. Foi, portanto, gratificante ler as manifestações em relação ao novo processo seletivo, destacando que hoje não há mais lugar para aulas teatrais e macetes. A UEL está de parabéns por ter demonstrado que se sonhar é preciso e agir é necessário, ousar é imprescindível!
SILZA MARIA PASELLO VALENTE é doutora em Educação e professora do departamento de Educação da Universidade Estadual Londrina


