Melhor ainda que reduzir de 21 para 10 o número de vereadores de Londrina é que eles continuem na mesma quantidade, mas trabalhem de graça, apenas por espírito público. Em alguns burgos europeus é assim. Ser vereador, nessas pequenas povoações, é função honorífica; ser eleito e servir, voluntariamente, é uma honra. Não importa se os membros dos seus grandes parlamentos sejam pagos. Sigamos o exemplo dos que se doam.
Londrina poderia dar essa extraordinária demonstração de maturidade política. Que poderia ser seguida por outros municípios brasileiros. E assim, esta cidade que já foi muito avançada politicamente, poderia assumir a posição de vanguardista nessa inovação. Não seria preciso sacrificar os ganhos dos atuais ocupantes dos cargos, mas que eles votassem uma lei para vigorar na próxima legislatura, ou a partir da seguinte.
Como, dos atuais vereadores, poucos se reelegerão, eles deixariam o ambiente pronto para os sucessores, que de antemão já saberiam que não teriam vencimentos pelo exercício da função. Aí se saberia que, aqueles que se candidatassem, o estariam fazendo por legítimo ideal de servir. Cessariam as mentiras e as enganações. O mesmo se diria dos partidos, que manteriam suas doutrinas e custeariam as campanhas dos seus candidatos com os recursos arrecadados junto aos filiados.
Os políticos do contra dirão como já estão dizendo ante a proposta da sociedade organizada de reduzir o número de cadeiras que se comece pelas Assembléias Legislativas e pelo Congresso Nacional. Ora, patriotismo não tem condicionamentos. E não faz diferença por onde começar. Pode ser pelas Câmaras de Vereadores. Quem sabe os parlamentos superiores venham um dia a seguir o exemplo, só se valendo dos ressarcimentos mínimos, como do transporte e subsistência, já que precisam deslocar-se a grandes distâncias. E por que olhar apenas para os exemplos em que há vantagem pessoal? Por que não olhar para o modelo dos burgos citados?
Casos de trabalho voluntário temos muitos. São os presidentes e diretores de entidades de classes, que nada ganham; são as diretorias de clubes sociais, dos denominados clubes de serviços, as comunidades maçônicas; são os dirigentes de instituições beneficentes; são os diretores de tantas associações sociais, culturais e esportivas, que operam apenas por idealismo; são os voluntários de toda ordem, que dedicam suas horas semanais em benefício de uma causa pública e nada recebem por isso.
Se for implantada a gratuidade para o trabalho dos vereadores o que não é nenhum sonho de uma noite de verão certamente muitos bons candidatos se apresentariam e os oportunistas desapareceriam de cena. Seria a grande chance do expurgo e de se criar o verdadeiro império da cidadania. Que fantástica Câmara de Vereadores teríamos! E que exemplo daríamos ao Brasil e ao mundo!
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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