ESPAÇO ABERTO - Verdade, razão e fé (1)
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Jonathan Menezes 
''Que é a verdade?'' Esta foi a pergunta que Pôncio Pilatos fez a Jesus Cristo em seu julgamento, quando este afirmava a finalidade com que veio ao mundo: ''testemunhar a verdade'' (João 18: 33-40). Em sua proposição clássica, o termo ''verdade'' significa realidade, exatidão, conhecimento verdadeiro ou representação fiel de alguma coisa existente na natureza.
Na perspectiva científica, podemos encontrar algumas dificuldades no plano teórico ao tratar do conceito de ''verdade'', a começar pela dificuldade de se explicar ou definir o que é a ''realidade'', ou em que consiste o (ser) ''real''. Assim, procura-se, não raras vezes, definir a realidade em termos que não comprometem, termos universais e mais fáceis de se perceber, como, por exemplo, os de utilidade prática ou, conforme coloca o historiador Francisco Falcon, de ''economia do pensamento'', isto é, que estão em consonância com este ou aquele critério pré-estabelecido.
Porém, tratar da verdade é um pouco mais complicado do que parece, principalmente quando temos em mente a noção de crise da modernidade. Inesgotáveis concepções aparecem quando o objetivo é falar desta ''crise'' que se instaura no campo das relações humanas. Meu intuito não é o de extrapolar mais esta inesgotabilidade, mas sim ressaltar a plausibilidade da questão.
A noção de crise da modernidade não é nem um pouco nova à medida que existe uma gama de especulações no que concerne à sua natureza e consiste basicamente no aparente abandono ou destronamento da razão, tal como foi concebida pelo pensamento iluminista, como um dos ídolos da modernidade, que norteou a certeza, quase indestrutível, de que a sociedade moderna caminharia rumo ao progresso, com a evolução das técnicas científicas: expressões supremas (divinas) da preeminente razão iluminista. Esta seria uma noção comum dos estudiosos que analisam esta crise.
Daí, o ceticismo, o pessimismo, o niilismo e outros ''ismos'', ao lado de algumas expressões irracionalizantes, caracterizam os chamados, homem e mulher, pós-modernos, oriundos da suposta falência dos ''tempos modernos''. Portanto este é um tempo que, segundo o filósofo e teólogo Francis Schaeffer, está para pensar de si como ''pós-tudo'': ''pós-moderno'', ''pós-história'', ''pós-sociologia'', ''pós-psicologia''.
Nada, a não ser o ''puro'' conhecimento objetivo (que, em si, já é uma ilusão, visto que não existe conhecimento sem o sujeito que conhece, isto é, sem um toque de subjetividade), seria capaz de desvendar a realidade tal como ela é. Neste sentido, como resultante disso, o que se tem são verdades e não ''a verdade''; múltiplas facetas da realidade e não uma só visão ou perspectiva a respeito da mesma.
Cristo é a verdade subjetiva: ''No princípio era o verbo e o verbo estava com Deus'' (João 1:1) que se fez objetiva: ''E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade...''. Em si, ele une o visível e o invisível, sem paralelos ou metáforas. A presença de Jesus como Deus agindo de maneira sobrenatural, porém, concreta na história, é algo que para muitos não tem o menor cabimento. Ora, o mesmo Jesus, no texto citado ao início desta discussão, garantiu que somente os que são da ''verdade'', ou seja, somente aqueles que crêem que ele é o verbo (a palavra encarnada), seriam capazes de ouvi-lo. Esta afirmação de Jesus envolve uma outra ordem, também de suma importância: o crer.
JONATHAN MENEZES é estudante de História na Universidade Estadual de Londrina e integrante do Movimento Evangélico Progressista


