ESPAÇO ABERTO - Vanderlei, o herói de ouro
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terça-feira, 07 de setembro de 2004
Rafael Iatauro 
Há determinados acontecimentos que alteram a vida das pessoas, provocam demoradas análises e mexem com o orgulho nacional. Nos últimos dias, as atenções de todos os brasileiros e do mundo estiveram voltadas para as Olimpíadas, o maior acontecimento dos esportes. Do Brasil partiram para Atenas, na Grécia, mais de 100 atletas, representando os mais diversos tipos de modalidades esportivas. Uns com grande prestígio, cobertos de glórias antecipadas, com enorme espaço na imprensa e apontados como medalhistas. Outros, nem tanto.
No meio de todos, lá estava a figura franzina, humilde e despretensiosa do Vanderlei Cordeiro de Lima, nascido na pujante Cruzeiro do Oeste e orgulho de Aurora e José Cordeiro, seus pais. Bóia-fria, começou a correr aos 9 anos de idade. Disciplinado, firme e determinado, entregou-se totalmente ao esporte de sua preferência e não parou mais. Desde sua primeira medalha, na cidade paranaense de Indianópolis, conquistou vários outros prêmios, nacionais e internacionais, e percorreu os continentes, mesmo sem receber destaque dos grandes veículos de comunicação que, via de regra, são ciosos em fazer estardalhaço a qualquer acontecimento ou resultado internacional de menor importância.
Na verdade, esse posicionamento é muito próprio da nossa cultura, especialmente a esportiva, o que não acontece na imprensa estrangeira, onde, muito raramente, se encontra uma notícia sobre nosso esporte, ainda que revestida de significativo destaque.
De repente, na mais tradicional, importante e desafiadora prova das Olimpíadas, a Maratona, eis que o destino coloca Vanderlei no centro das atenções, quando foi covardemente atacado por um irresponsável, que o jogou longe e impediu sua trajetória de conquista à medalha de ouro, causando repulsa e revolta em todo o mundo e afetando a legitimidade do resultado.
No entanto, quando todos esperavam de Vanderlei uma reação forte, com severas acusações e críticas, ele acabou dando ao Brasil e ao mundo exemplar lição de humildade, perdoando o infeliz que, por exibicionismo, atrapalhou seu desempenho. Por isso, seu nome foi citado nos mais importantes jornais e revistas e incluído na galeria dos atletas respeitados, inclusive pela atitude de terminar a prova.
Vanderlei tornou-se símbolo da tenacidade, luta, vibração e desejo de vencer. Consagrou-se como brasileiro de coragem, orgulho da família, do Paraná e do Brasil e exemplo a ser seguido pela futura geração do esporte. Merece, sem dúvida, todas as homenagens, representada pela Medalha de Diamante, outorgada pelo Governo do Estado.
RAFAEL IATAURO é conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná e ex-cronista esportivo


