ESPAÇO ABERTO - UTIs cada vez mais precisamos delas
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 05 de agosto de 2003
Aylton Paulus Júnior 
O que interessa ao cidadão é a saúde e não os leitos hospitalares. Se todos tivéssemos boa saúde, segurança e cidades saudáveis, com certeza precisaríamos de menos hospitais. Entretanto, quando não se tem saúde os hospitais são necessários.
Assim, menos leitos hospitalares disponíveis à população poderia ser indicador de pessoas mais saudáveis. No Paraná, de 1992 até hoje, temos uma redução na oferta de leitos hospitalares para o SUS de aproximadamente 4,7 mil leitos. Com certeza, não estamos mais saudáveis por isto. Vejamos como estão os números da Rede de Assistência do Sistema Único de Saúde - SUS - no Paraná com dados de abril de 1992 e abril de 2003.
Em termos de leitos em geral, em 1992 o Paraná estava com uma maior relação leito por mil habitantes do que hoje. Eram 3,88 leitos para cada mil habitantes. Hoje, temos apenas 2,87 leitos/mil habitantes. A oferta de leitos hospitalares, de fato, diminuiu no Paraná. Entretanto, proporcionalmente e em termos absolutos, os leitos de UTI disponíveis à população aumentaram neste mesmo período.
A possível explicação é a de que o uso intensivo da tecnologia em saúde faz com que as intervenções para a cura sejam cada vez menos traumáticas requerendo cada vez menos a internação de outros tempos e, paradoxalmente, quando o cidadão necessita de cuidados hospitalares, a indicação recai cada vez mais para os serviços de UTIs.
Tem algum tempo que parece pacífica a aceitação da lógica de haver um aumento cada vez maior do uso de leitos de cuidados intensivos (UTIs) em relação aos demais leitos disponíveis à comunidade. Os dados da rede de assistência à Saúde do SUS, mesmo de períodos recentes, confirmam as expectativas.
Em 1992 o Paraná tinha 1,62% dos leitos hospitalares destinados para cuidados intensivos - UTIs. Passada mais de uma década, mais precisamente em 2003, o percentual é de 2,67% dos leitos destinados à UTI indicando uma maior oferta de UTIs pelo sistema. Em 1992, em relação à população do Paraná, o número era de 6,2 leitos de UTI para cada 100 mil habitantes. Hoje, temos 7,7 leitos para cada 100 mil habitantes. Ou seja, são 762 leitos de UTI para os 9.906.812 habitantes do Paraná.
Geograficamente os leitos hospitalares e os de UTIs tendem a concentrarem-se nos municípios pólos. Londrina é um município pólo que tem 83 leitos de UTI representando 10,89% dos leitos do Estado. Em 1992, Londrina tinha 73 leitos de UTI, ou seja, 13,70% dos leitos de UTI do Estado.
Finalizando, a tendência histórica mostra o crescimento real dos leitos de UTIs no Paraná. Entretanto, as recentes reportagens sobre o assunto mostram que elas ainda são insuficientes para atender o aumento da violência urbana, a eficiência do Siate, o aumento da longevidade e o aumento decorrente das demais indicações médicas. A morte, quase que sem assistência por falta de equipamentos e profissionais de terapia intensiva, continua a ser notícia dramática nos jornais de Londrina.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina


