A necessidade de exibir uma potência incomum, infelizmente, faz parte do ideário de muitos homens, principalmente os mais jovens, que estão se iniciando sexualmente. Muitos deles carregam inseguranças, inibições e timidez excessiva, características estimuladas por uma cultura que valoriza obsessivamente o desempenho.

O surgimento do Viagra há seis anos, e mais recentemente de outros similares, estimulou as fantasias dos jovens em aumentar o seu poder de conquista. É importante lembrar que os jovens valorizam mais a quantidade de relações sexuais, que passa ser para eles indicador de maior potência, e muito menos a qualidade do relacionamento sexual, que é responsável pelo crescimento afetivo e fundamental para um bom envolvimento amoroso.

É comum entre os jovens a necessidade de contar vantagens para garantir, mesmo que enganosamente, uma condição viril, que justifique sua auto-afirmação como homem e ainda, para certos jovens, uma forma imatura de combater ou até mesmo camuflar a homofobia (medo de ser ou ter conflito homossexual).

Entre os jovens que fazem uso recreativo desses medicamentos, é comum que uma parcela apresente traços de timidez, insegurança e ansiedade de desempenho que irá contribuir para o surgimento de falhas de ereção na hora H.

Esses jovens, além da necessária orientação psicológica, indicada para remover seus medos e inseguranças, poderão fazer uso concomitante desses medicamentos para recuperar mais rapidamente a confiança sexual e a manutenção do seu relacionamento afetivo, sem correr o risco da dependência a medida que tenham acompanhamento médico.

Já os adultos, que relatam uso recreativo do Viagra ou outros medicamentos de efeito semelhante, na sua grande maioria são homens que perderam a confiança sexual em virtude de um casamento morno ou por estarem apresentando diabete, hipertensão, tabagismo e uso abusivo do álcool e que na realidade estão na fase de ''pré-impotência'' e, já temerosos em fracassar sexualmente, passam a considerar fantasiosamente que o uso desses medicamentos seja apenas recreativo.

Na intimidade do consultório, eles reconhecem que não é bem assim, apesar de tentarem negar ou esconder da parceira o impacto dessas doenças ou uso dessas drogas.

Nessas circunstâncias, a dependência é inevitável quando não procuram orientação médica e/ou psicológica.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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