Na semana passada a Universidade Estadual de Londrina (UEL) divulgou que também adotará o sistema de criação de cotas para negros, implantado por outras instituições de ensino do país. Penso que se trata da vitória de uma classe social representativa e que briga pelos seus direitos, mas é um grande sinal de derrota do sistema educacional brasileiro. Por quê? A explicação é simples e muito constrangedora para todos nós brasileiros. Apesar de contarmos com professores altamente dedicados, tal atitude demonstra mais uma vez que o projeto educacional nacional é falho, com qualidade aquém da desejada, e que precisa se ancorar em certas medidas para justificar o seu fracasso.
Será que um indivíduo pobre, de descendência branca, amarela ou de outra caracterização racial qualquer não possui o mesmo direito de ter uma porcentagem fixa de cotas que garanta o seu acesso ao sistema público de ensino? Será que o correto não é investir na educação pública de base - atualmente desvalorizada e considerada a principal causa da decadência do sistema educacional brasileiro - ao invés de ''mascarar'' as mazelas com os programas sociais? É inadmissível que intelectuais, professores e representantes de entidades governamentais e não governamentais se mostrem hipócritas e insistam em dizer que tudo é uma questão de ''preconceito racial''.
O sistema de criação de cotas representa um ato de discriminação e, acima de tudo, de exclusão social. A Constituição Federal, no seu artigo 5º, fala que ''todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza''. Por isso, é preciso que se dê as plenas condições para que qualquer um, independentemente de cor ou das possibilidades financeiras, tenha a mesma oportunidade de se educar e de ser alfabetizado. Não podemos admitir que alguns sejam beneficiados com políticas de cotas em detrimento de outros também necessitados.
Temos que lutar para que o aluno receba, desde a sua alfabetização, as melhores condições de ensino: estudem por tempo integral, com alimentação satisfatória; infra-estrutura escolar correta; professores bem remunerados e capacitados; salas de aula com contingentes ideais e que não se assemelhem a delegacias superlotadas; e principalmente, com um projeto educacional altamente qualificado.
Basta de medidas paliativas, que humilhem aqueles que são beneficiados com tais procedimentos. Por acaso, alguém gostaria de ser taxado de ''aluno de cota'' ou ''profissional de cota''? Por que em vez de criarmos artifícios que burlem a Constituição Federal e incentivem o ''levar vantagem em tudo'', não discutimos o modelo mais correto para melhorar o sistema educacional brasileiro? Os governantes do nosso país não podem se eximir de debater o assunto com a sociedade brasileira. É hora de, sem demagogia, pensarmos e buscarmos um Brasil realmente para Todos!
LUIZ MENEGHEL NETO é empresário rural e agropecuarista em Londrina

mockup