ESPAÇO ABERTO - Uma nova passagem no parque João Batista Moreira Souza
Como ambientalista, militante e membro fundador da Ong Patrulha das Águas, sou conhecedor, admirador e usuário do Parque Nacional do Iguaçu e suas redondezas, especialmente das suas águas para prática de canoagem, rafting e outros ecoesportes. Preocupado em encontrar uma resposta que seja socialmente justa e ambientalmente adequada para a chamada ''estrada do colono'' que atravessa o parque numa extensão de 17 km, após muita reflexão e pesquisa sobre o assunto e tendo acompanhado todo o desenrolar dessa questão até o momento, apresento uma proposta que creio ser razoável para a polêmica, pois acredito que uma alternativa ambientalmente sustentável deve considerar todas as variáveis existentes, isto é, analisar os prós e os contras das diferentes propostas.
Reabrir e criar uma estrada representaria, sem dúvida, a volta dos impactos nocivos ao meio ambiente; entretanto, fechá-la definitivamente ao trânsito provoca danos à economia dos municípios do entorno do Parque e também ao meio ambiente. É só pensar nos efeitos prejudiciais que, no decorrer de décadas, os milhares de litros de petróleo transformados em gases e poluição, alem dos possíveis acidentes automobilístico tirando vidas, e o impacto econômico provocado pelo acréscimo de 120 km à cada viagem, além da perda econômica com a não exploração do potencial turístico.
Existe uma boa proposta em estudo: a construção de um túnel no local. Mas, devido ao tipo de relevo, hidrografia e extensão, acredito que isso seria inviável devido ao alto valor para tal empreitada. Apresento, portanto, a minha proposta. Trata-se da construção de uma ferrovia, na qual circularia um trem elétrico de transbordo, trafegando a baixa velocidade, a cada meia hora ou outro intervalo conveniente, somente no período diurno. Os veículos viajariam acomodados em vagões adequados e os passageiros num confortável vagão especial com visão panorâmica, semelhante à Litorina utilizada na Serra do Mar.
Do meu ponto de vista, esta proposta apresenta baixo custo e é ambientalmente aceitável, considerando os impactos e os custos dentre as outras propostas possíveis, apresenta baixíssima área impermeabilizada, largura muito inferior a uma estrada e possibilidade de construção de áreas com trechos elevados, pontes e áreas apropriadas para o tráfego de animais e até, se for o caso, pequenos túneis para reduzir os impactos. Seriam no máximo 24 viagens (considerando ida e volta) de baixa velocidade, sem a queima de combustíveis fósseis, transportando até 100 veículos por viagem, que totalizariam 2400 veículos por dia, algo superior ao volume de tráfego estimado para aquela demanda. Dentre outras variáveis ambientais positivas, estaríamos criando também uma rota turística de relevante grandeza e beleza para a região e o estado do Paraná. Esta é a minha proposta, agora publicamente apresentada para discussão e análise pela sociedade e os seus respectivos representantes.
JOÃO BATISTA MOREIRA SOUZA, ambientalista de Londrina.





