A nenhuma outra espécie é dada a opção de destruir ou preservar. Apenas nós, humanos, por conta de nossos interesses podemos explorar os recursos de uma floresta, colocando-a abaixo ou obtê-los mantendo-a em pé. Na primeira opção, as consequências serão danosas e de longa duração. Na segunda, não há danos e os benefícios é que terão longa duração.
Não sabemos quantas espécies existem no planeta. Nem quantas deixam de existir, ao cabo de cada ano. Muitas delas se extinguirão antes mesmo que sejam conhecidas. Em outras palavras, não sabemos nada. O que se sabe é que cada espécie é única. Cada uma é uma verdadeira obra prima que a natureza esculpiu com a paciência de quem sabe o que faz.
Quanto maior a diversidade de espécies de um local, mais estável e produtivo ele é. Assim, até por uma lógica capitalista, é mais rentável proteger do que degradar. Entretanto, o capitalismo também tem a lógica predatória do lucro imediato. Através dele, retira-se mais da natureza do que ela pode repor. A natureza, contudo, é finita e de recursos esgotáveis. Com o tempo, subtrair mais do que adicionar, até por uma questão aritmética, fará com que ela acabe.
Entretanto, nós humanos nos consideramos acima ou à parte da natureza. Aprendemos que ela existe para nos servir. Que, justamente por isso, necessita ser controlada, transformada, vencida.
Porém, ao nos considerar donos absolutos da natureza, confundimos o valor ético que tem a vida humana sobre as demais espécies. E esta confusão é mais que oportuna pois assim, podemos explorá-las.
Contudo, ao tentarmos subjugar a natureza entramos em litígio com ela. A degradação é mera consequência. Degradação que nos atinge pois, queira ou não, o homem é natureza também.
Do ponto de vista ambiental, a conduta humana é imoral. Além de utilizar-se dos recursos naturais muito além de suas verdadeiras necessidades, coloca sua vida e a vida dos recursos naturais muito além de suas verdadeiras necessidades, coloca sua vida e a vida dos demais seres vivos em risco.
Todas as espécies que conseguiram estabilizar-se na Terra o fizeram seguindo estratégias de cooperação e solidariedade com outras espécies. As que usaram meios contrários, não sobreviveram.
Hoje, comemoramos o Dia da Árvore. Uma nova ética na relação homem-natureza nunca foi tão necessária. Não fossem as inúmeras razões aqui faladas, apenas por uma questão de sobrevivência. Nossa sobrevivência.

LUIZ EDUARDO CHEIDA é secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná

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