ESPAÇO ABERTO - Uma eleição bipolar?
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de junho de 2010
Roger D. Colacios 
Nestas eleições majoritárias de 2010 podemos constatar inicialmente certa bipolarização das preferências dos eleitores aos candidatos à Presidência da República: de um lado temos Dilma Rousseff (PT) a eleita do presidente Lula; de outro, a volta de José Serra como o escolhido do grupo de oposição (PSDB). Ambos os candidatos têm sido destaque na mídia, em todos os formatos, principalmente, pelas participações em inaugurações e uma disputa pré-eleitoral pela simpatia do público: é o sorriso de Serra contra o carisma de Dilma.
A candidata da situação vem empurrada, ou mesmo carregada, pelos atuais índices de popularidade de Lula. Dados estatísticos que apontam recordes de aprovação do presidente e que indicariam o interesse da maioria pela continuidade das metas do governo petista. Inaugurações de obras, presidente-garoto propaganda, mudança de imagem, marcam a tônica pré-eleitoral. Somado tudo isto a multas e declarações entusiásticas de Lula pela campanha da companheira de partido.
No outro lado, temos o retorno de Serra, então governador de São Paulo, ao pleito presidencial. Liderando a disputa pré-campanha, Serra apenas recentemente se declarou candidato a presidente, enquanto isto também inaugurava obras no seu Estado e naqueles cujo o governo fosse tucano ou amigável ao partido. Apesar de tudo, ainda não conseguiu definir um vice para compor sua chapa.
Mas essa bipolarização que se apresenta como a tônica das eleições de 2010 pode se revelar enganosa numa análise superficial. Com a aproximação de Dilma nas pesquisas de alguns institutos, praticamente emparelhando com Serra na preferência dos eleitores, a decisão que invariavelmente se dará no segundo turno, terá como fiel da balança os votos que migraram dos candidatos com menor possibilidade de participação efetiva para romper com a briga entre PT e PSDB pelo cargo de presidente do país.
Neste quesito os eleitores de Marina Silva do PV serão os protagonistas, e os principais alvos dos presidenciáveis no segundo turno. Os aproximadamente 12% que nas pesquisas tendem a votar em Marina Silva migrariam para qual dos outros dois candidatos?
Se pararmos para pensar que em sua maioria esses eleitores teriam uma vinculação com o movimento ambiental, ou então tenham alguma preocupação em relação às questões ambientais, poderíamos ser levados a acreditar que bastaria a Dilma ou Serra obterem o apoio de Marina, e também, fortalecerem este ponto em seus programas e projetos de governo para arrecadar estes votos. Porém, o problema para ambos é mais profundo.
Historicamente, haveria uma concreta relação entre o movimento ambiental (verde) e a esquerda (vermelha). Portanto, teríamos a tendência pela escolha por Dilma do PT, mas entre a candidata e o meio ambiente não existiria nenhuma intimidade, ao contrário, houve atritos entre esta e Marina Silva, quando ambas foram ministras de Lula, respectivamente das pastas de Energia e de Meio Ambiente. Já Serra representaria a direita, junto à desvalorização do social e o economês tomando conta das diretrizes governamentais, consequentemente, seria visto com certa rejeição pela ala radical dos verdes, junto ao receio pelo retrocesso das políticas ambientais conquistadas nos últimos anos.
O que certamente poderemos perceber é que teremos uma eleição polarizada entre dois candidatos, mas que será decidida por eleitores que não os escolheram num primeiro momento.
ROGER D. COLACIOS é historiador em Londrina e doutorando em História Social pela Universidade de São Paulo (USP)
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