ESPAÇO ABERTO - Um salário de fome, que covardia!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de abril de 2004
Gilberto Jordão 
O arrocho salarial é o vilão responsável pela falta de consumo. O outro vilão é o preço elevado das tarifas das empresas que prestam serviços essenciais à população, como energia elétrica, transporte, gás de cozinha, telefone. O incrível disso tudo é o aval concedido pelo governo às empresas para os referido aumentos.
Apesar de o nosso comandante geral dar murros na mesa de negociação, por falta de resultados visíveis em sua administração, ele se submete às diretrizes ditadas pelos dois homens fortes de sua equipe de vanguarda: Meirelles e Palocci. O presidente diz, em alto e bom som, que não vai virar a mesa, ou seja, o povo, mais uma vez, ficará à mercê de um salário mínimo miserável - R$ 260,00 -, coisa que ele, quando oposição, criticava todos os ex-presidentes. Ele prefere não correr riscos. Mas quais são esses riscos? Pois é, as promessas de campanha ficaram para trás mais uma vez e com um agravante: as promessas foram de um partido que era considerado ético.
O duro é ver a que a concentração de renda está nas mãos de poucos e a plebe na miséria absoluta. Só o governo não quer admitir e enxergar tal dilema, mas o mais triste é saber que ele - governo - sabe de todo esse sofrimento, mas não admite! O presidente sepultou o socialismo que ele mesmo defendera. A história nos mostra que o poder transforma as ideologias e os pensamentos dos homens. Com Lula não foi diferente. Estamos sendo governados de uma forma mecanicista. Existe apenas a figura de um presidente, porém não apita nada, não tem voz ativa para nada, está perdido e sem um direcionamento confiável.
Nós, trabalhadores, estamos vivendo um verdadeiro pânico. Enquanto isso, a congregação superior reúne-se periodicamente, há dias, para resolver o valor do salário mínimo (de fome). Que decepção saber que as pessoas que estão, hoje, nos representando ficaram em dúvida e indecisas para estabelecer qual deveria ser o valor real dessa miséria. Esses modelos econômicos, defendidos por Palocci e Meirelles e com aval do presidente, são modelos criminosos e desumanos.
Enquanto isso, o Senado aprovou uma Medida Provisória solicitada pelo presidente, de 2.793 novos cargos de confiança para o Executivo - sem a necessidade de se fazer concurso - são os famosos CCs. Infelizmente, nossos representantes assistem pacificamente toda essa barbárie. Poucos se manifestam. O povo está sendo humilhado e desrespeitado por mais esse ato covarde e irresponsável.
O governo está sendo satirizado pela oposição com frases de efeito: ''Quando Lula vai começar a governar?'', ''governa Lula!''. Até um bolo foi servido na sala do cafezinho dos parlamentares para festejar os 16 meses na inabilidade do governo Lulista. Nossa representatividade deixou de existir há muito tempo. Infelizmente, somos administrados e/ou comandados por uma equipe de conluios medíocres, limitados e sem credibilidade.
Esse governo perdeu sua credibilidade. Um exemplo dessa perda está sendo constatado em Brasília. As pessoas que ficavam esperando o presidente Lula em frente ao Palácio do Alvorada, no início de seu governo, já não vão mais recepcioná-lo, porque os atos cometidos pelo seu governo fizeram com que o povo perdesse a confiabilidade.
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá


