Comemoramos no dia 20 de novembro o dia da Consciência Negra. A data escolhida pelo Movimento Negro contrapõem-se ao 13 de maio, dia da ''Abolição da escravatura''. É uma homenagem a Zumbi dos Palmares, líder do Quilombo dos Palmares, que faleceu nesse dia. A guerra dos Palmares foi um dos episódios de resistência negra mais importantes na história da escravidão nas Américas.

O resgate ou revalorização do negro no antigo sistema escravocrata foi demonstrado pela sua grande participação em incontáveis movimentos que almejaram a superação de sua condição de opressão, superexploração e isolamento, por meios de métodos diretos de luta como outros mais sutis de resistência, ao modelo econômico e social vigente.

Alguns séculos se passaram, mas percebe-se que, mesmo velado, o racismo não deixou de existir ou de se manifestar cruelmente. A opressão de cor somente modernizou-se, assim como a sociedade da opressão modernizou suas formas de dominação durante os anos.

Por muito tempo foi negada a resistência do negro em todos os seus aspectos, exigindo-se a confirmação de uma história de paz social, porém não se negou o combate, nem o uso de significativos recursos para a manutenção de um aparato repressor para prevenir ou esmagar as insurreições, mas reduzindo a real projeção do que fora séculos de oposição negra ao escravismo.

Atualmente, como forma de resistência ao racismo ''cordial'', os movimentos sociais negros ligados à questão racial têm esta data como um ponto de convergência para manifestações e reflexões sobre suas formas de luta e atuação para que a sociedade saiba respeitar e conviver com as diferenças.

Podemos tomar como exemplo, a adoção das ações afirmativas, como as cotas para negros, em vigor em algumas universidades, e a lei 10.963/2003 que obriga o ensino da história africana e afrobrasileira nas escolas.

Com a lei 10.963 de janeiro de 2003, o dia 20 de novembro foi incluído no calendário escolar: Dia Nacional da Consciência Negra. Nesta data, organizam-se eventos educativos com o intuito de evitar o preconceito, ou seja, inferiorização perante à sociedade. Vários temas são debatidos e ganham relevância, principalmente no que se refere à inclusão do negro na sociedade

É hora de apostar no bem, pois ter consciência negra ''é saber que foi o negro quem mais colaborou para que o Brasil seja hoje um país de muitas possibilidades, e que isso lhe custou lágrimas de dor, suor e sangue'', afirma a escritora e compositora Jeane Siqueira.

Ter consciência negra significa que ser negro é também fazer parte da sociedade em igual condição. Significa pertencer a uma etnia que não é pior e nem melhor que outra, e sim igual. É compreender que somos igualmente inteligentes e igualmente humanos. É saber que a inteligência não tem nada a ver com a cor da pele, que somos igualmente capazes e que não há etnia superior.

Na concepção de Raimunda Nilma de Melo Bentes, uma das destacadas lideranças do movimento negro do Brasil no combate ao racismo, ''ter consciência negra significa compreender que para ter consciência negra não basta ser negro e até se achar bonito, e sim que, além disso, sinta necessidade de lutar contra as discriminações raciais, sociais e sexuais, onde quer que se manifestem''.

Ter consciência negra significa, sobretudo, sentir a emoção inexplicável que vem da luta, em nosso peito, das lágrimas e do suor derramados de tanto sofrer, com o desejo ferrenho de alcançar a igualdade, para que seja feita justiça ao nosso povo, à nossa etnia.


MARIA SALETE CORRÊA CARVALHO é professora pesquisadora com mestrado em Psicopedagogia em Londrina

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