O obscurantismo, segundo o dicionário ''Aurélio'' é ''um estado de quem vive na escuridão''. O obscurantismo teve momentos marcantes na história, como na Idade Média, Idade das Trevas, onde pessoas eram queimadas porque manifestavam opinião. O obscurantismo sobreviveu ao Iluminismo, um período de luz, do saber, das ciências. Atualizado, o obscurantismo continua poderoso atrás da aparente Era da Informação e Comunicação.
A escuridão em nossas vidas continua, quando informação retida ou manipulada disfarça fatos; quando cidadãos que questionam o sistema sofrem represálias; quando uma sociedade consente sem refletir; quando a democracia é discurso; quando o indivíduo se acomoda. No obscurantismo não sofrem somente os que ousam questionar.
Muitas vezes o ''poder'' usa sua longa experiência repressora para manter situações de dependência e anular opiniões contrárias. Preocupados com nosso status, emprego e consumo, acabamos apoiando e construindo preconceitos. Desenvolver novos conceitos e olhares para o ambiente e a nossa forma de participação são assuntos discutidos intensivamente, desde a década de 70, nas grandes conferências ambientais entre os governos do mundo. Mas os olhares mundiais muitas vezes esqueceram particularidades do pequeno lugar onde vivemos. E nós, será que conhecemos o pequeno lugar onde vivemos? O que havia antes? O que tem hoje? O que haverá amanhã? Como reconhecer e prevenir ameaças ao nosso pequeno mundo?
Temos que reaprender a ''olhar'' com todos os nossos sentidos e descobrir novas perspectivas. Perspectivas independentes da economia de mercado, de regras de organizações, da fidelidade partidária. Um olhar de doação. Um olhar criativo. Um olhar, onde insucessos e sucessos têm igual valor. Um olhar que tem como meta reconhecer os outros. Um olhar que nos tire da escuridão, do medo das nossas limitações, dos nossos ódios e das hierarquias. Para ajudar a desenvolver esse olhar temos que aperfeiçoar nossa comunicação. Uma comunicação que estimule linguagens que existem em cada um, como a música, a dança, o teatro, a pintura, para expressarmos nossas emoções. Emoções que nos aproximam como elementos irmãos da natureza. Um dia de luz!
DANIEL STEIDLE é agricultor e ambientalista em Rolândia

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