Vivi no último dia 4 de outubro, com outros privilegiados amigos, um dos mais significativos dias de minha vida. A família Strass reverenciava, ao final da tarde, a partida de Jorge Strass. O lugar: a casa que Jorge adquiriu no trevo da Warta o ponto mais alto da região , onde tudo é preciosamente cuidado. Um jardim. Cumpriu-se ali seu último desejo. Tudo feito com o mais apurado esmero. A cerimônia tinha a fisionomia do Jorge; da família Strass. A esposa Jandira e as filhas; a mãe Olga (Oma), os irmãos Carlito e Reinoldo, com esposas e filhos, todos, com muita gentileza e atenção, nos trouxeram, à memória, o patriarca Carlos Strass, com seu semblante sempre reflexivo. Homem de muita sabedoria. Com certeza, ao assistir àquela cerimônia não esconderia um sorriso discreto, de orgulho.
Que tarde inesquecível. Que beleza indescritível. Quanto amor, quanto carinho. Quanto respeito! As músicas estavam sob responsabilidade de Roney Marczak (violino) e Paulo Lima (teclado) que, com voz embargada, diziam que aquelas obras primas estavam entre as preferidas do Jorge. Fizeram seus instrumentos sublimar a cerimônia. Irmãos da Igreja Lutherana entoaram belíssimo hino. Os pastores Elmar e Messias, baseados na vida exemplar de Jorge, falaram da palavra de Deus, destacando a vida, e a nova vida. Padre Sílvio Andrei lembrou que a palavra Jorge, etimologicamente, significa agricultor, e que, aquela tarde inspirada o lembrava da melodia ''hoje o céu está tão lindo'' celebrando a despedida de Jorge Strass.
As músicas, os louvores, as palavras, aquele ambiente, anunciavam: o Espírito Santo de Deus certamente estava ali. Os amigos da família que ali estavam não se contiveram. Suas lágrimas refletiam o respeito, a admiração, o amor e a alegria por este talentoso homem: Jorge Strass. Suas cinzas e pétalas de rosas foram lançadas, por avião, nas cercanias daquele local, junto com o pôr-do-sol.
Quem vive Londrina desde a década de 70 sabe muito bem o que Jorge Strass representou para a classe agronômica e para nossa cidade e região. Como profissional, deixou suas marcas competência, caráter, eficiência na Basf, Seru (PML), Iapar, entre outros. Certa feita, fez verdejar o gramado em implantação do Estádio do Café, ainda em obras, em pleno período de geadas tarefa tida como praticamente impossível utilizando seus conhecimentos e de uma junta de notáveis engenheiros agrônomos, o que permitiu a inauguração do estádio, em tempo hábil, viabilizando a entrada do Londrina no Campeonato Nacional. Ainda, de presente, transplantou 5 cafeeiros ''em florescimento'', arrancando-os de sua propriedade e implantando-os no estádio, sem que nenhuma flor sequer viesse ao chão. No ato da inauguração, as plantas de café lá estavam. Viçosas e absolutamente floridas, como se nada tivesse acontecido.
Isto para o Jorge era normal. Desafios ele não temia. Foi pioneiro na implantação de pomares em parceria. O parceiro sabia respeitar sua competência técnica e Strass sabia valorizar a mão-de-obra. Ambos enriqueciam. Entretanto, o profissional Jorge era superado pelo homem Jorge. O amigo, o filho, o irmão, o pai e esposo: estas eram as suas marcas mais fortes. Quem convive com a família Strass sabe do que estou falando. Tive o privilégio de conviver com Jorge, e sua família, desde a época de estudantes da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Jorge Strass sempre foi para nós, seus colegas/amigos, uma referência respeitosa.
Hoje, Jorge Strass representa para nós uma memória de reflexão. Para todos os sentidos da vida. Representa uma referência, um marco, um rumo, um exemplo, um horizonte. Jorge, sua memória aviva, ainda mais, o respeito pela família Strass. Sua semente, Jorge, sem nenhuma dúvida, caiu em solo fértil e multiplicou cem por um. (Mateus 13:8). E você, Jorge, mais que ninguém, sabe: o grão de trigo, para produzir, antes, ele morre. (João 12:24 ). Deus, em sua suprema graça, abençoe a todos da família Strass.
SAMIR CURY é engenheiro agrônomo e diretor do Instituto de Desenvolvimento Empresarial em Londrina

mockup