ESPAÇO ABERTO - Transições epidêmicas
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de janeiro de 2005
Gilberto Jordão 
Mais da metade das prefeituras, em todo o território nacional, em que foram feitas as transições de seus administradores públicos, apresentam problemas gravíssimos de caixa.
Há prefeituras em que os administradores deixaram seus postos e trancaram as portas, literalmente, dos seus gabinetes. Foi necessário arrombá-las. Há aqueles que nem combustível deixaram nos tanques dos veículos, como ambulância, por exemplo. Uma verdadeira lástima.
No dia primeiro de janeiro de 2005 foram feitas as transições epidemiológicas. É dessa forma que nós brasileiros classificamos esse escárnio.
Notamos que quem tomou posse chora pelas dívidas encontradas. Agora, quem deixou seus postos está dando gargalhadas e torcendo para dar tudo errado, para aquele que assumiu. Estão apostando que quem assumiu não irá encontrar uma saída para solucionar os problemas encontrados. Aqueles que deixaram os cargos estão convictos de suas impunidades. Infelizmente é uma realidade. A Lei não consegue alcançá-los, pois eles são intocáveis.
Há a necessidade de uma verdadeira revolução, na forma de se fazer política nesse país. As heranças deixadas para quem está assumindo, em muitos municípios, são impagáveis. Sabemos disso! Esse fenômeno, transição de cargos, significa democracia. Mas, que democracia é essa? Os brasileiros estão em transe. Não entendem mais nada.
Infelizmente, os políticos somente identificam o vírus dessa epidemia quando assumem seus postos, pois com toda a certeza eles também deixarão a herança maldita, para aqueles que irão substituí-los, no futuro. A primeira vítima dessa epidemia é, sem dúvida alguma, a população.
Precisamos desmascarar esse vírus urgentemente. Necessitamos nos robustecer com um antídoto muito forte, o nosso voto. O que mais atrapalha, nós eleitores, são as máscaras usadas pelos políticos. O que mais nos intrigam são as censuras decretadas pelos próprios políticos, quanto às suas despesas, ou seja, ninguém sabe onde está sendo aplicado o dinheiro público. Não existem planinhas públicas demonstrando os montantes destinados às áreas x, y, z..., e quando as têm são planilhas mascaradas, nada confiáveis. A Lei de Responsabilidade Fiscal não passa de uma chacota.
Tempos piores virão. Basta entrar em vigor o novo salário mínimo. Mais de 600 municípios terão seus orçamentos elevados em, pelo menos, 54%, com a folha de pagamento, percentagem condenada pela atual Lei. E o governo federal, o que faz? Nada! Pois seus próprios filiados já o rotularam de: um governo neoliberal.
O que presenciamos são gastos exorbitantes com as câmaras dos vereadores e com os gabinetes dos prefeitos. Seus custos são maiores do que as arrecadações. Uma vergonha. Um descalabro. Uma irresponsabilidade. Uma falta de consciência. Coisas de pessoas irresponsáveis!
A população necessita, urgentemente, levantar o véu dessa maldade epidemiológica e trocar a obscuridade pela clareza da verdade. Estamos cansados de mentiras. Precisamos fugir do escuro moribundo em que se encontram nossas prefeituras e buscar a claridade da decência, da verdade e da transparência. Precisamos livrar nossos municípios dos administradores nefastos. Pois, agora que eles já tomaram seus postos, será cada um para si e salve-se quem puder.
Gilberto Jordão é professor universitário em Maringá


