ESPAÇO ABERTO - Terror na terra prometida
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2004
Nelson Araújo de Oliveira 
Ninguém pode conviver, por muito tempo, na ansiedade do medo; na ameaça do tenor ou submisso à prepotência. Novamente, a Palestina foi cenário do desfile dos tanques israelenses. Belém, cidade onde Jesus nasceu, não ofereceu resistência: a praça central e uma igreja cristã foram confinadas. A demonstração de forças ocorreu um dia após o atentado terrorista que explodiu um ônibus em Jerusalém, matando 10 pessoas e ferindo dezenas de outras. A explosão ocorreu bem próximo à residência do primeiro ministro de Israel, Ariel Sharon. Agora, o exército de Israel vasculha outras regiões da Palestina, bombardeando supostos terroristas.
Nos tempos bíblicos, Jerusalém e Palestina eram constituídas de um mesmo povo. A divisão entre Israel e Judá era politicamente amigável e seus profetas falavam a mesma língua. Unanimemente, proclamavam: Jerusalém é cidade eterna. Contudo, agora desamparada, a Jerusalém moderna. Para onde voaram os anjos mensageiros dos seus profetas? Onde está o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó? Por que não se ouvem mais mensagens de boas-novas, que outrora transpunham os vales da Terra Prometida; anjos que anunciavam a paz debandaram em revoadas. Hoje, voam os homens-bombas que aterrorizam as nações. combatendo os inimigos com suas próprias vidas, desafiando os deuses da paz. O sangue das vítimas e dos suicidas se confunde embebendo o chão a cidade eterna.
Com a escassez dos homens que falavam com Deus, por causa do orgulho e da modernidade, Israel não tem fé suficiente para suscitar profetas conciliadores. Só lhe resta o poder bélico, com o qual se faz ouvir, na Terra Prometida, o ribombar dos canhões.
Em qual cidade se escondeu Maomé? Onde está o Filho de Belém, o Deus prometido dos cristãos? Cadê Jeová, Javé e Alá? Por que os deuses deram as costas à Palestina? Com certeza, os filhos da terra deixaram fugir as bênçãos de Davi e não buscaram a sabedoria de Salomão. Não ouviram, sequer, os sábios conselhos do Messias, o pacificador ressuscitado.
Jerusalém é mesmo a cidade santa para judeus, cristãos e muçulmanos; é símbolo da eternidade, berço dos profetas; raiz de um povo escolhido. As mensagens e as promessas dos patriarcas hebreus são sua herança. Ó Jerusalém, Cidade dos deuses! Sua santidade supera Roma, Meca e Medina juntas.
Ariel Sharon e Iasser Arafat podem não ter a vara mágica de Arão, nem a sabedoria de Moisés; todavia, são conscientes de que a paz é boa e necessária; sabem que há semelhança entre Deus e o homem: ao se destruírem mutuamente, destroem também essa semelhança.
Ó Jerusalém, Cidade Eterna! Ó Palestina! Terra Prometida, povos da mesma origem não podem decepcionar o mundo da atualidade e nem seus ancestrais. Por causa disto, ainda resta esperança, de paz.
NELSON ARAÚJO DE OLIVEIRA é professor aposentado em Londrina


