A história comprova que os primeiros grupos sociais começaram a se unir graças às tradições, costumes e outros tantos interesses comuns. Havia em especial um de suma importância: o interesse pela segurança. A união propiciava o fortalecimento do grupo, preparando-o melhor para defesa de suas famílias e clãs, de suas crenças, de seu patrimônio e de sua liberdade.

Unidos erigiram as aldeias e depois as cidades, estas verdadeiras fortalezas com altas muralhas rodeadas de obstáculos para evitar o avanço de intrusos e de inimigos.

Somente no seio da cidade o povo sentia-se protegido, amparado pela fortaleza que o separava do mundo exterior. Mundo desconhecido aos seus sentidos, que guardava perigos e interesses estranhos aos objetivos do grupo.

Eram tempos difíceis para a humanidade.

A época era de temor. Barbáries ocorriam além das muralhas. Poucos se arriscavam a se enveredar por terras estranhas. Terras estas a poucos quilômetros ou mesmo a metros de distância da tão protetora muralha.

Os cidadãos, entretanto, pagavam o preço pela paz. Eram assolados por tributos considerados indispensáveis à manutenção não só da casta dominante, mas igualmente indispensáveis para a manutenção da segurança da cidade. Segurança esta ilusória, imperfeita e passível de corrupção.

Tempos difíceis para a humanidade.

Hodiernamente isto não mais ocorre. Não somos mais assolados por tributos injustos para manter uma estrutura frágil e imperfeita. Não precisamos disto, pois vivemos em paz e em harmonia. Convivemos, trabalhamos e gozamos do fruto de nosso trabalho.

Temos liberdade de ir e de vir, direito consagrado em nossa Constituição Federal. Não mais nos agrupamos atrás de muralhas, de escoltas, de soldados. Vivemos livres afinal. Vivemos livres e protegidos, dentro de nosso condomínio residencial. Trabalhamos livres e protegidos em nosso condomínio comercial.

Não temos que galgar distâncias para risco correr. Temos tudo à mão: alimentação, vestuário, bancos, escolas e principalmente segurança. A segurança de nossos condomínios. ''Pequenas cidades'' onde nos sentimos protegidos. Pagamos o preço, mas afinal, quem vai querer se enveredar além das muralhas de nosso condomínio?

Tempos difíceis para a humanidade.

JOÃO VICENTE CAPOBIANGO é advogado e professor da PUC-Londrina

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