ESPAÇO ABERTO - Tarefa escolar, sim ou não?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de dezembro de 2003
João Garcia de Campos 
Não se trata apenas de uma questão de sim ou não, mas principalmente uma questão de ''como''! As tarefas escolares devem primar pela qualidade e oportunidade, sendo significativas e atrativas para as crianças. Não podem ser orientadas pela quantidade, nem serem mecânicas, repetitivas e improvisos de final de aula.
Pensamos numa tarefa escolar que não seja mera repetição exaustiva dos conteúdos acadêmicos trabalhados, nem preparação para prova, mas sim em atividades que contribuam também para o desenvolvimento do caráter, dos princípios morais e éticos; quando uma criança habitua-se a estudar em horário e locais definidos, quando cumpre a obrigação assumida, quando vê as consequências positivas e experimenta a satisfação do dever cumprido.
Importa que a tarefa não desenvolva apenas a memória e sim o ver, o cheirar, o ouvir, o observar, enfim proporcione o contato com a realidade, especialmente nas séries iniciais do ensino fundamental. Nas séries seguintes as tarefas podem ser propostas das próprias crianças, onde gradativamente os interesses diversificados vão aparecendo.
Ao invés de levantar os olhos aos céus e resolver no improviso (no final da aula) o que vai dar de tarefa (porque tem que dar) os professores deveriam considerar que suas tarefas sejam: experiência na solução de problemas; parte dos interesses da criança; oportunizadoras de atividades em grupo; de caráter terapêutico no desenvolvimento de atitudes e habilidades; integradas às demais atividades de classe. E neste sentido é muito importante que a avaliação das tarefas não seja apenas a verificação se fez ou não a mesma, mas sim de uma exploração que avalie realmente a oportunidade de aprendizagem e valorize a atividade realizada.
É muito importante também que se considere o tempo livre da criança como uma necessidade e também a participação da família nas tarefas escolares, que deveria ser de incentivo e de dar condições para que a própria criança desenvolva a tarefa e jamais de oportunizar que terceiros façam a tarefa para a criança.
Portanto o positivo ou negativo não está na tarefa e sim no como conduzir e orientar as tarefas com objetivos claros, estratégias, avaliação e dosagem adequadas a cada faixa etária e até mesmo a cada criança em uma determinada sala. Vejo por exemplo o caso do método Kumon, que não abre mão das tarefas de casa e que são feitas com satisfação no objetivo de superar os obstáculos ou passos programados pelo metodologia específica adotada. Não raro são os exemplos de alunos do Kumom que levam seus blocos de atividades para a praia nas férias e nem por isto deixam de desfrutar das delícias da férias e nem se sacrificam com as tarefas escolares, pois são encaradas como necessárias à ginástica cerebral. Considero mesmo as ''tarefas escolares de férias'' muito mais salutares que os malfadados videogames e playgames que se não limitados podem implantar uma preguiça mental para as atividades sistemáticas escolares, além de se tornarem jogo compulsivo.
Portanto a questão levantada na tese da Professora Martha Guanaes Nogueira é muito oportuna e deve ser analisada com carinho para que as tarefas escolares sejam realmente salutares, pois muitas das tarefas escolares são meros castigos aos escolares ou dirigidas a seus professores particulares ou familiares. E estas sim devem ter um fim.
JOÃO GARCIA DE CAMPOS é psicólogo escolar da Rede Municipal de Ensino de Porecatu


