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Opinião 5m de leitura Atualizado em 27/12/2021, 07:41 assinante

ESPAÇO ABERTO - Tarefa difícil e complexa

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Paulo Bassani
AUTOR autor do artigo

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Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO ABERTO - Tarefa difícil e complexa
|  Foto: iStock
 

O intelectual é um ser pensante, que não deveria estar preso a esta ou aquela teoria, este ou aquele autor, este ou aquele partido político, esta ou aquela religião, mas ter em seu cérebro, seus estudos, capacidades de articular um conjunto enorme de explicações que obteve ao longo da história e de suas reflexões e análises e, esta não é uma tarefa fácil. Exige leitura, concentração, dedicação, tempo, discernimento, distanciamentos e aproximações. A essência de um intelectual é de que ele transcenda as ideias rasas de seu tempo, lembrando que as preocupações comuns do cotidiano já fazem parte de suas análises. No entanto, atento, não deixa de entender o espírito de sua época diante do que é esclarecedor e o que é obscurantismo, do que é evidente e do que se esconde.

O que o intelectual tenta é demonstrar no pensamento as questões gerais, as questões amplas, com um olhar mais profundo, para tanto busca sempre que necessário incorporar as experiências que ocorrem em nosso tempo, em nosso cotidiano. Isso significa estar atento as questões globais quanto às questões locais. Quando ouve, lê uma notícia não emite uma opinião rápida, simples, rasa. É prudente parar para pensar, verificar a veracidade, a origem, como ela se expressa, por quem e de que forma foi elaborada. Isso implica checar a fonte da informação para efetivar a credibilidade no processo de análise.

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É comum estabelecer uma relação contextual, ampliando suas correlações, para depois estabelecer uma análise com maior fecundidade. É, necessariamente, um defensor da liberdade de expressão em suas manifestações filosóficas, artísticas, culturais e científicas. É muito complexo o livre pensar numa sociedade onde as narrativas carregam uma cegueira sobre falas e experiências que acreditam serem absolutas, ou são estas, ou nada são. Principalmente quando estas narrativas surgem de um contexto político complexo, porém de pura experimentação de algo que acredita ser a expressão única, hegemônica.

Talvez, seja um bom momento para a desconstrução, demolição das formas convencionais para, no montante de resíduos resultantes, verificar as possibilidade de aproveitamento de parte deles, selecionando-os atribuindo uma ressignificação sob a forma do novo. Agora, não bastam esses resíduos, necessitamos de outros materiais. No entanto, esses, se manifestam nos processos visíveis e invisíveis que ocorrem pelos recantos de uma realidade líquida, perversa. E aí há muito trabalho de análise, muito trabalho para explicar o curso que as coisas estão assumindo. Uma série de questões entram em cena, necessitamos cautela para enfrentá-las, necessitamos de boas cabeças para problematizar e analisar, afim de, criticamente construir e reconstruir permanentemente o pensamento. Temos que, como uma tribo de pessoas críticas e sensíveis ao pensar, ir ao encontro da esperança, da utopia que sonhamos e desejamos. Precisamos aprender sobre a natureza que é a mãe de tudo, para compreendermos mais e melhor a nossa própria natureza, e entender-se melhor como ser humano, com nossos propósitos, nossas tarefas, nossas missões. Mesmo que ainda não tenhamos identificadas, mas elas estão por aí em algum lugar.

E, quem sabe, o fruto dessa compreensão, processo do pensar, dessa codificação, possa surgir às novas formas para estabelecer dinâmicas que sejam orientadas por outras lógicas, horizontalizadas, conscientes, emancipadas. Não há caminho para a sustentabilidade sem uma educação emancipada e crítica, com formação e capacitação de pessoas que possam compreender o significado e a natureza deste modelo embrionário. São princípios e valores que remetem a história de um novo tempo para pensá-lo e fazê-lo não apenas diferente, mas transformado. A fim de buscarmos as respostas e formas seguras, consistentes, precisamos conhecer melhor o chão onde elas ocorrem. Isso implica em conhecer e saber o que fazer, e no percurso deste conhecimento orientar nossas ações.

Hoje há milhões de brasileiros que perderam o trem. Ficaram na estação ou foram abandonados no percurso. Esse trem do crescimento, do progresso, do desenvolvimentismo não para de se manifestar e, a cada dia, deixa mais pessoas pelo caminho. Os intelectuais, pensadores, não podem negar esta realidade. Deverão estimular as transformações que elevem todos os sujeitos a um envolvimento necessário, dos contatos entre seres com seus direitos cidadãs garantidos para compor o ambiente de dignidade e qualidade, inicialmente do território onde vivem e na sequência de sua amplitude universal. Porque temos esta tarefa: pensar e propiciar, como fruto desse pensamento, coisas boas coisas que emancipam os seres humanos a outro estágio civilizatório.

Paulo Bassani é sociólogo e professor Universitário

A opinião do autor não reflete, necessariamente, a opinião da FOLHA. 

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