ESPAÇO ABERTO - Sustentabilidade urbana em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de maio de 2004
Fernando Fernandes 
Nos últimos 40 anos o Brasil inverteu a relação entre populações rurais e urbanas. Hoje a média nacional indica que 80% de nossa população vivem nas cidades. Em Londrina, esta proporção está próxima de 90%.
A concentração de pessoas em áreas restritas exerce pressões ambientais evidentes, se considerarmos as cidades como sistemas abertos, em constante troca de matéria e energia com o meio. Consumimos água potável (150 a 200 l/hab dia), produzimos esgotos (120 a 160 l/hab dia), trazemos alimentos dos campos, produzimos lixo (0,70 a 1,0 Kg/hab dia), impermeabilizamos o solo, transformamos matérias-primas em escala crescente, criando um ambiente distante das condições naturais. Este cadinho de transformações e lutas sociais pode ser visto sob vários ângulos. Sem dúvida, as forças econômicas atuam no sentido de concentrar as populações nas cidades, mas o fato é que o crescimento das cidades não é fruto exclusivo de forças econômicas - o campo se esvazia também porque as novas gerações querem ter acesso a determinadas vivências e bens associados ao estilo de vida urbano. O nosso destino e o da maioria dos países, é nos tornarmos cada vez mais urbanos.
Mas nossas cidades não estão ''fora'' da natureza. Existe uma relação intrínseca entre o ambiente construído e o ambiente natural, que é sua base e fonte de seus materiais. A boa urbanização ao é uma submissão do ambiente natural à ação criadora do homem.
A questão da sustentabilidade ambiental foi exaustivamente discutida a partir dos anos 70. Hoje, empreendimentos e ações são considerados sustentáveis, se apresentam sustentabilidade ecológica, viabilidade técnico-econômica e justiça social. Apesar das cidades apresentarem limitações conceituais relativamente ao desenvolvimento sustentável, as áreas urbanas são hoje foco de discussão intensa e busca de novos paradigmas de desenvolvimento.
A Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Habitat II, 1996), aprovou a Agenda Habitat, documento que explicita não só os compromissos e ações estratégicas a serem adotados pelos governos, como pela sociedade civil e iniciativa privada, visando a obtenção de um desenvolvimento urbano sustentável. O próprio conceito de cidade foi ampliado, abrangendo assentamentos humanos de forma mais ampla.
Estes conceitos estão refletidos no Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257, de 10/07/2001), que criou vários instrumentos de intervenção urbana que começam a ser aplicados em várias cidades do Brasil. Em Londrina, o projeto Anel do Emprego se proprõe a esta tarefa arrojada: incentivar o desenvolvimento econômico em harmonia com as sensibilidades ambientais das várias regiões atravessadas pelos seus 42 Km de extensão. Esta proposta se encontra em plena fase de discussão com a sociedade londrinense e pode colocar nossa cidade entre as cidades brasileiras com experiências inovadoras e avançadas de urbanização.
FERNANDO FERNANDES é engenheiro civil e professor adjunto na Universidade Estadual de Londrina


