O Brasil acaba de ser distinguido na reunião do Conselho Internacional de Enfermagem, realizado de 29 de junho a 5 de julho, em Genebra, ao ter sua representação indicada para em nome de todos os países da América Latina proferir a conferência da sessão solene de abertura desse importante fórum, no qual têm assento 130 países de todos os continentes e onde são mostrados avanços, analisados problemas e lançados novos projetos para a categoria em âmbito mundial.
Esclareça-se que nem essa distinção nem o fato de ser a primeira vez (em toda a história da instituição) que o nosso país goza desse privilégio são obras do acaso. Na realidade, o Brasil vem se tornando, em anos mais recentes, referência da profissão nesta parte do continente. Uma regulamentação consistente e uma série de outras leis e normas baixadas no âmbito federal proporcionam aos nossos profissionais com atuação dessa área garantias sem precedente ou paralelo em outros países da América Latina.
Além da feliz oportunidade de discorrer sobre o tema ôRegulamentação profissional e suas interfaces na América Latina", quando também mostrou as lutas desenvolvidas e as conquistas alcançadas em nosso país, a presidência do Cofen teve nesses dias um encargo adicional: defender os interesses da enfermagem brasileira junto ao Conselho de Representantes daquela órgão mundial. Tratando-se tal Conselho de um numeroso colegiado no qual devem ser aprovados previamente todos os projetos e ações a serem implementados, pode-se imaginar o quanto esse trabalho é penoso e desgastante. Não apenas pelas naturais dificuldades de comunicação num plenário dessa complexidade e magnitude, como porque atua contra nós - apesar de sermos a quinta presença, em termos numéricos, no CIE - a circunstância de estarmos no contexto da América Latina, o que nos coloca em certa desvantagem diante de países europeus, asiáticos e da América do Norte, de maior prestígio e tradição dentro do organismo.
A par de discernimento para escolher, entre as propostas surgidas nessas ocasiões, as que contemplam mais de perto a realidade do nosso país como um todo e as conveniências corporativas dos enfermeiros, esse processo exige - e exigiu bastante durante esse encontro - considerável esforço de articulação política. Tanto mais quanto decisões do gênero envolvem investimentos financeiros, constituindo, portanto, verdadeiro desafio numa quadra tão difícil para a economia mundial.
Esta presidência, que exerceu essa importante representação juntamente com o colega Carlos Lima, do Coren da Paraíba, encerra essa missão em Genebra com a consciência de que as decisões adotadas com sua participação no âmbito do CIE irão contribuir de alguma forma, a curto ou a médio prazo, para o maior aperfeiçoamento, valorização e prestígio da enfermagem brasileira.


GILBERTO LINHARES é presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)

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