ESPAÇO ABERTO - Sucessão nos EUA
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Estelio Feldman 
Os Estados Unidos vivem em permanente campanha eleitoral. Isto poderia significar que seriam de fato a maior democracia do mundo. Discutível. Fraudes, como as que foram denunciadas na eleição do atual presidente George W. Bush, tornam isto, no mínimo, discutível. De qualquer forma, a campanha é permanente. O presidente eleito já começa pensando na reeleição. O mesmo para governadores, prefeitos e outros. Ganham e lutam. Não param. O problema presidencial é mais amplo, porque as novas leis definem só uma reeleição. No segundo mandato, o presidente cuida de eleger o seu sucessor.
No ano da escolha do novo presidente (ou do antigo, caso de Bush) a luta tornou-se mais acirrada. Os democratas, da oposição, já estão na luta. Na situação, George W. Bush está calmo, com a indicação. Não está, conforme as últimas pesquisas, tão certo quanto à reeleição. A síndrome do pai, o ex-presidente George Bush, o segue. Bush (pai) enfrentou o Iraque, na Guerra do Golfo, ganhou mas, meses depois, foi derrotado na tentativa de reeleição.
Seu filho fez, também, a guerra do Iraque, também ganhou (embora a resistência mostre outra coisa) e começa a perder prestígio. Suas alegações para a guerra tem sido contestadas e seu trabalho interno, também. A economia vai mal, o déficit interno é monstruoso e muitas revelações sobre atos dele começam a desagradar. Pesquisa divulgada nestes dias mostra que ele poderá perder a reeleição.
A questão é sobre quem os democratas escolherão para enfrentar Bush. John Edwards, senador da Carolina do Norte, que está na frente nas primárias (escolhas feitas nos estados pelos partidos, para definir o candidato) mostrou que pode derrubar o presidente. Mas ainda é muito cedo. As grandes primárias, nos principais estados, ainda estão por vir.
Para entender a questão é preciso lembrar que o total de delegados por estado é que define os grandes eleitores que sufragarão o candidato. Atualmente, nenhum dos disputantes chegou perto. As prévias maiores começam por março, abril. Aí é que a coisa pega.
Analistas perguntam por que os democratas não concorrem com Bill Clinton, que concluiu dois mandatos? Outros são mais radicais e falam em sua esposa Hilary Clinton, a atual senadora por Nova York, que poderia ser a primeira mulher presidente dos Estados Unidos. Ambos, porém, afirmam não o desejar.
Lá para a frente, porém, até porque polícia é muito fluída, muita coisa pode mudar. Até Bush voltar à frente, com alguns de seus truques. E até lá, o mundo fica vendo e, porque depende muito deles, torcendo. Afinal, muito do que vai acontecer neste mundo nos próximos meses, depende dos rumos que tome a chamada maior democracia do mundo.
ESTELIO FELDMAN é jornalista da Folha de Londrina


