Lendo o artigo ''Sobre popularidade e competência'', publicado sábado último na Folha, em que se enfoca uma das mais populares figuras políticas do nosso tempo, ou seja, o cidadão popular e legitimamente eleito pelo povo para um cargo público, seja no Executivo ou no Legislativo, nas esferas municipais, estaduais ou federal, porém, completamente despreparado para o exercício de tão nobre missão, fez-me relembrar alguns dos velhos sonhos que tenho e, diga-se de passagem, compartilhado e aprovado por inúmeras pessoas do meu relacionamento, até então não divulgados por serem considerados verdadeiras utopias.
O primeiro, também enfocado no referido artigo, é que um cidadão para se candidatar a qualquer cargo eletivo deveria ter formação política. Ampliando esse pensamento, considero que, em nível municipal, o candidato deveria contar no seu currículo, no mínimo, com um curso superior. Em nível estadual, deveria contar, além do curso superior, com um curso de Ciências Políticas, onde teria estudado, com certa profundidade, o Direito Administrativo, Sociologia, etc., e, em nível federal, deveria contar, além dos anteriormente citados, com Especialização em Ciências Políticas, uma espécie de pós-graduação nessa área.
Não podemos esquecer que os cargos de assessores parlamentares e os dos primeiros escalões dos poderes executivos municipais, estaduais e federal deveriam ser preenchidos por indivíduos igualmente preparados. Dessa forma teríamos, em todas as esferas, políticos presumivelmente competentes e merecedores da confiança popular. Evidentemente, apenas essa medida não seria suficiente para a solução dos problemas relacionados com a malversação dos recursos públicos, porém, poderia minimizá-los consideravelmente já que as pessoas encarregadas de geri-los seriam, em tese, comprovadamente capacitadas para tal exercício, o que lhes aumentaria a responsabilidade.
O segundo sonho, também considerado uma utopia (porém, de suma importância), diz respeito ao cidadão eleitor. Ora, ser eleitor no Brasil deveria ser considerado um privilégio, e votar, motivo de orgulho. Sendo um privilégio, o cidadão, para conquistar esse direito, deveria estar razoavelmente politizado. Isso implicaria na introdução de uma matéria de Noções de Ciências Políticas no currículo escolar do curso médio. Em outras palavras, para ter o privilégio de ser eleitor, o cidadão deveria ter, no mínimo, o curso médio completo. Presume-se que, com tal formação escolar, o eleitor estaria plenamente consciente de suas obrigações e participaria mais ativamente da política, em todos os níveis, escolhendo, através do voto, de uma maneira mais consciente e acertada, os futuros dirigentes do nosso País.
Utopia? Sim, utopia! Mas sonhar com um Brasil bem administrado por políticos competentes e honestos, voltados efetivamente para os interesses da nação, não é uma utopia, mas sim, uma obrigação de cada um de nós.
ANTÔNIO JOSÉ SALADINI é administrador de empresas em Londrina

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