ESPAÇO ABERTO - Somente Deus não decepciona nossa fé!
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quarta-feira, 07 de julho de 2021
Padre Rodolfo Trisltz 
As tristezas e dificuldades da vida moderna, em especial aquelas impostas pela pandemia do coronavírus, não podem ser motivos para abalar nossa fé em Deus. Sabemos o quanto temos sofrido e, muitas vezes, perdido pessoas queridas, sejam amigos ou parentes.
Mas, de forma alguma, podemos nos permitir duvidar, como fez o apóstolo Tomé, chamado Dídimo, na ocasião da morte e ressureição de Cristo. Santo do qual, aliás, celebramos a festa litúrgica no dia 3 de julho e a quem devemos sempre recorrer, em oração, quando nos faltar forças para acreditar no amor e no poder de Jesus.
“Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei” (João 20, 25-B). Essa clássica passagem bíblica demonstra o quanto os discípulos e apóstolos estavam perdidos.
Eles, que haviam deixado tudo para trás para seguir Jesus, agora se viam em meio às incertezas de sua morte. E às dúvidas acerca de sua ressureição. Tomé, por sua vez, estava mais reticente. E pediu uma prova do que seus amigos lhe contavam. Oito dias depois, o próprio Senhor apareceu e pediu que Tomé tocasse suas chagas. “Meu Senhor e meu Deus”, disse o apóstolo.
Era já o prenúncio de que muitas pessoas precisariam crer sem ver. Tanto que Tomé, embora não se fale muito sobre isso, o apóstolo se tornou o grande evangelizador na região da Índia, sendo considerado um dos primeiros católicos orientais. Pedro e Paulo, por exemplo, disseminaram a Palavra de Deus na Grécia e em Roma – e isso está muito explícito nas cartas que escreveram e que fazem parte do Livro Sagrado –, Marcos pelo Egito e João pela Síria.
E a fé é, justamente, “o fundamento da esperança, a certeza daquilo que não se vê”, como se relata na carta de Paulo aos Hebreus, no capítulo 11. É, pois, acreditar em algo que não se consegue visualizar o fim, ou o milagre, ou a cura. É não duvidar de que, embora não compreendamos os desígnios de Deus ou as peças que a vida nos prega, Cristo sempre está de braços abertos para nos acolher. Seja nos momentos de dificuldades financeiras, de saúde ou, então, qualquer outra situação de nossas vidas que nos foge ao controle.
Embora seja rodeada de dúvidas, a fé nos leva a uma entrega total a Cristo. Obviamente, não se trata de ser cega, de não enxergar os problemas e as dificuldades, mas, ao contrário, de colocar em prática ações e atitudes que possam levar a uma mudança de vida. Afinal, “assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2, 17).
Uma coisa não se desliga da outra. É preciso, cada qual, fazer a sua parte: cada um de nós e Cristo. E, dessa forma, é que se conhece quem tem a verdadeira fé. “Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. (...) Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7, 17. 20).
Então, a fé é aquela que nos impulsiona não somente a acreditar que Deus pode agir sobre nós, mas, sobretudo, nos leva a agir conforme os princípios e preceitos cristãos de amor, perdão e misericórdia.
E aí está a beleza do cristianismo: acreditar que Deus age também através de nós, dos profissionais da saúde, dos que mais necessitam e de todos que se permitem ser canais da graça divina. Fé: uma pequena palavarinha que tem um grande significado e uma grande importância.
Então, como anda a sua fé? Sua fé em Deus, nas pessoas, no bem comum, na comunidade, na sociedade, na sua família ou nos amigos? Como está a chama que mantém viva a esperança? Não é clichê dizer que dias melhores virão. Nem, tampouco, depositar a fé em Deus.
O problema é quanto transferimos nossas crenças em apenas uma pessoa, em um salvador que não seja Cristo. Aí, de fato, nos decepcionamos e perdemos a nossa fé e a nossa esperança. Somente Deus não decepciona nossa fé.
Padre Rodolfo Trisltz é pároco e reitor do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, na Vila Nova em Londrina.
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