O Ministério dos Transportes deverá destinar, em 2005, R$ 5,5 bilhões à conta do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT). Parcela expressiva dos recursos deverá ser aplicada na recuperação de rodovias. Esta é uma decisão acertada em termos de políticas públicas, considerando que, ao invés de começar novas obras, é necessário garantir o bom estado e a segurança das já existentes.
No entanto, é importante que o governo em todo os níveis quebre um antigo paradigma do Brasil na análise e implementação dos programas de obras do setor de transporte rodoviário, conferindo maior equilíbrio, em termos de importância, entre o recapeamento das pistas e à sinalização horizontal (demarcações no pavimento) e vertical (placas ao lado ou acima da pista) das ruas, avenidas e estradas deste País. Esta distorção atinge em cheio a segurança dos usuários.
Um outro problema está relacionado ao fato de ser sempre implementado ou reformado sobre a égide simplista do mais barato. Isto, no fundo, o vem arruinando, porque o pavimento e a sinalização quando critérios técnicos e a qualidade dos materiais empregados são desconsiderados acabam não suportando muito tempo o tráfego de veículos, determinando constantes trabalhos de reparação, tornando, no fim das contas, a rodovia muito mais dispendiosa.
Este problema, na maioria das vezes, é fruto de um descompasso entre o ''estado da arte'' da tecnologia na área e os técnicos que especificam produtos em editais. A realidade é que nos processos licitatórios e de contratação, algumas empresas se aproveitam da questão legal e se focam na busca desenfreada e quase leviana em adequar custos, produzindo produtos de desempenho duvidoso e serviços de baixo resultado.
O fato é que os editais precisam ser mais bem especificados, analisando questões técnicas essenciais do sistema viário, como a utilização do material correto para cada situação de uso de uma via, desde as características do tráfego quanto ao volume e tipos de veículos mais frequentes, até clima, regime pluviométrico e peculiaridades geográficas e socioeconômicas. A busca dessa equação está diretamente vinculada à procura da melhor relação custo-benefício, sempre priorizando a segurança dos usuários.
A tecnologia em sinalização viária tanto horizontal quanto vertical, que engatinhou por algumas décadas, avançou sensivelmente nos últimos anos no País. Há atualmente materiais muito mais resistentes em relação aos que convencionalmente vêm sendo empregados. Para se coibir o vandalismo já há no mercado placas de fibra de vidro de baixo interesse comercial como sucata, que substituem o aço e o alumínio.
É necessário que para o encontro de soluções eficazes se amplie o diálogo entre os fornecedores e os compradores, em especial o governo e as empresas concessionárias de rodovias.
ÁUREA RANGEL é química, mestre em engenharia de materiais

mockup