ESPAÇO ABERTO - Sobre o Dia do Professor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de outubro de 2003
Lygia Lumina Pupatto 
Como reitora da UEL, cabe-me a responsabilidade de dirigir a instituição que possui o maior número de professores na região. Além disso, a Universidade Estadual de Londrina possui 14 cursos de formação de professores em nível de graduação, sendo também a instituição responsável por formar a maior parte dos professores que educam nossos filhos.
Como professora, sempre me incomodou ouvir as autoridades enaltecerem os professores no dia 15 de outubro, com a mesma facilidade com que os esqueciam, para só voltarem à mesma prática no ano seguinte. Ao invés de repetir esta prática pretendo, a partir de idéias e provocações do ministro da Educação, professor Cristovam Buarque, colocadas num recente encontro com os reitores das universidades, analisar a situação atual dos professores a partir de três aspectos, como profissional dotado de cabeça, coração e bolso.
Na questão da formação dos professores, atualmente a UEL está reformulando seus cursos de graduação, inclusive as 14 licenciaturas. Pretendemos atualizar os projetos político-pedagógicos dos cursos, adequando-os às modificações cada vez mais rápidas pelas quais o mundo tem passado. Além disto, ainda com relação à cabeça do professor, estamos propondo à Secretaria Estadual de Educação um arrojado programa de capacitação para os professores da rede pública de ensino.
Cabe destacar o quanto nossa sociedade precisa, de fato, valorizar a educação e os seus principais agentes: os professores. Carreiras defasadas, escolas carentes de infra-estrutura, sobrecarga de aulas, dentre outros, são problemas antigos que ainda não foram solucionados. Tudo isto resulta em falta de motivação e comprometimento da atuação do professor. Recuperar a auto-estima do profissional é condição básica que deve preceder hoje à implementação de qualquer política educacional. Para tanto, recuperar a distinção social de que já foi revestida a profissão de professor, constitui o passo inicial e mais importante a ser dado.
Finalmente, devemos lembrar que não há profissional que se capacite ou que esteja motivado, se não for adequadamente remunerado. Sabemos que nenhum país conseguiu superar o subdesenvolvimento sem investimentos maciços em educação. Hoje, mais do que investimento em infra-estrutura, urge recuperar os salários dos profissionais da educação. Considerando que a educação dos nossos filhos deve estar entregue aos melhores profissionais, cabe à sociedade definir os salários que atenderão a exigência de qualidade que se espera.
Como na canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, ''se muito vale o já feito, mais vale o que será''. Até aqui, o ''já feito'' em educação dependeu sobretudo da abnegação dos professores; enquanto que nos cabe, ao conjunto da sociedade, definirmos que ''o que será'' feito, considerando a situação dos nossos professores a partir daqueles aspectos lembrados pelo ministro Cristovam Buarque: corações, mentes e salários.
LYGIA LUMINA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL)


