Recentemente foi publicada matéria na qual o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida dizia estar ''gratamente surpreso'' com a eleição de Alexandre Kireeff para a Prefeitura de Londrina, e aconselhou o novo prefeito a ''administrar a cidade junto com siglas partidárias'', alertando-o sobre um possível ''isolamento perigoso'' ao qual ele poderia ser submetido, comparando seu desempenho politico ao ex-presidente Jânio Quadros.
Autor da campanha chamada de o tostão contra o milhão, Jânio nunca perdeu sustentação política por não governar por siglas ou associações com outros partidos senão o próprio, mas sim por adotar uma política baseada na adoção de uma relação comercial externa que pudesse fomentar o desenvolvimento econômico do País, já afirmada no governo de Juscelino Kubitschek.
Essa posição justificava a aproximação do Brasil com os países do bloco soviético, na medida em que o comércio com esses países pudesse favorecer a balança comercial brasileira. A condecoração de Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul e o anúncio do restabelecimento das relações diplomáticas com a União Soviética contribuíram para o acirramento de tensões internas.
Jânio caiu frente à pressão do governo estadunidense no apogeu da Guerra Fria. Portanto, não parece ter alguma relação com o momento político local descerrado pela eleição de domingo passado.
A preferência por Alexandre Kireeff mostra clara e exatamente que o povo não quer políticos que se coliguem por tempo de exposição na mídia ou alianças partidárias que não meçam consequências por cargos apadrinhados.
Não deveria ser lugar-comum ser transparente, ético e austero, quando se trata da prática política depositada pela fé do voto. Estas sempre foram prerrogativas para que um político seja legitimamente emissário do povo. Preocupar-se em alertar sobre ''posturas autoritárias'' ou ''isolamento'' parece ser retroação ao passado.
Seria melhor então aconselhar o novo prefeito a colocar carneiros nos jardins da prefeitura para economizar os serviços de roçagem ou mesmo deixar bilhetes aos servidores municipais para que apaguem as luzes das salas, antes de ir embora, do que governar com siglas partidárias ou governos estaduais e federais que até agora pouco (ou nada) contribuíram com o desenvolvimento da cidade (uma alusão ao saudoso ex-prefeito Wilson Moreira).
A recente experiência com a administração municipal petista e sua relação com o governo federal atesta a desilusão de que relacoes estreitas entre prefeito e governo federal poderiam promover vantagens. Mas o povo reconhece estes descaminhos, respondendo nas urnas com a derrota, no primeiro turno, da candidata do PT.
Tenho plena convicção que Cheida, como médico e deputado estadual com expressiva atuação na área do meio ambiente, vai amparar o novo prefeito e seu secretariado, auxiliando na profilaxia da administração pública, blindando a cidade contra muitos que, sem merecimento, são beneficiados por filiação partidária aliada, e ajudando a reinstaurar a meritocracia na gerência pública e a reedificar nossa cidade.

CARLOS ALBERTO SPIRONELLI RAMOS é cirurgião-dentista, ex-docente da Universidade Estadual de Londrina e professor na Roseman Health Sciences University, em Salt Lake City, Estados Unidos

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