ESPAÇO ABERTO - Sobre a Rodoviária de Niemeyer
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de dezembro de 2012
Junker de Assis Grassiotto 
O jornalista Walmor Macarini, por duas vezes neste espaço, tratou sobre a retomada do projeto de Oscar Niemeyer para o Terminal Rodoviário de Londrina. Quando assumi a Secretaria de Obras, no início de 83, recebi do então prefeito Wilson Moreira a incumbência de estudar a possibilidade de concluir a obra da rodoviária, que se encontrava paralisada.
Niemeyer foi contratado para fazer o projeto arquitetônico (na FOLHA da época tem uma foto dele com o prefeito Antonio Belinati juntos à maquete - uma proposta lindíssima, cuja cobertura em casca de concreto protendido, com vazados, configurava uma rosácea. A obra começou a ser executada pela CBPO, uma das maiores construtoras do País. Em determinado momento, sentiu-se ser inviável seguir adiante, em função do alto custo, e solicitou-se ao projetista outra proposta mais barata: a alternativa oferecida pelo arquiteto foi mudar a cobertura para semitroncos de cones convergindo ao centro o que eliminava a necessidade de protensão (uma solução também bonita, mas nem tanto, pois era mais pesada, menos elegante).
Ainda assim sua construção acabou parando em seguida, com somente uma parte executada (movimento de terra, fundações e muros de arrimo) o que não era pouco, mas deixava a conclusão distante (destaco que, na minha opinião, a implantação daquele projeto, naquela topografia, implicou em custos exorbitantes. Comecei, numa prancheta, a estudar o problema e idealizei basicamente o seguinte: eliminação dos fossos que abrigavam as construções de apoio (sanitários, depósitos, salas da administração, etc.), pois obra enterrada é muito mais cara; alteração da segunda proposta de cobertura que passei para metálica, como é hoje; e eliminação de um viaduto de acesso sobre à Dez de dezembro.
A partir disso estimei o custo para conclusão da obra e levei para o prefeito. Nessa conversa disse que deveríamos contratar Niemeyer para fazer as modificações (consultando a tabela de honorários do Crea, achei que um valor razoável para pagarmos seria da ordem de CR$ 100 mil). Wilson Moreira prontamente aprovou tudo e me pediu que entrasse em contato com o projetista. Fui ao Rio para conversar com ele e expus nossas dificuldades e ideias. Ele concordou comigo e então perguntei quanto nos custaria o projeto das mudanças. Pediu-me CR$ 75 mil e, como estava bem abaixo da estimativa que eu tinha, já autorizada pelo prefeito, aceitei imediatamente. O contrato foi assinado sem qualquer dificuldade, porque sendo ele o autor inicial não precisávamos licitar, nem poderíamos, por uma questão de ética profissional. O que foi combinado foi entregue e pago rigorosamente, tendo sido a obra concluída de acordo com o planejado, inclusive dentro dos prazos e dos custos.
Alguns detalhamentos (guarita de entrada, comunicação visual, quiosques, ajardinamento, etc.) contratamos com o arquiteto Júlio Ribeiro, de saudosa memória. Para a inauguração, evidentemente, convidei Niemeyer que naquele momento já tinha cerca de 80 anos. Além da idade avançada, ele não viajava de avião, daí, não ter comparecido, mas me mandou o seguinte telegrama: ''Impossibilitados comparecer evento tão importante Londrina enviamos nossos votos de sucesso. Cordialmente. Oscar Niemeyer e Hanz Muller''. Li seu texto no início do discurso que fiz na época.
Quanto às críticas eventuais, diria que são normais. Qual obra não as merece? Fico só no exemplo que diz respeito ao fechamento vertical deficiente e teço duas considerações: no inverno ou em dia de chuva fica-se relativamente desprotegido, porém não se peca por falta de iluminação e ventilação naturais; a antiga rodoviária projetada por Artigas nem proteção tem (lá sim, quando chove e faz frio se fica ao relento por causa da pequena área coberta e do pé direito alto).
Um último comentário: deixamos prontos os locais para as escadas rolantes, uma em cada lado da escadaria principal, e cobrimos com duas finas lajes de concreto que na gestão do Padre Roque (2009), foram removidas para a devida instalação, tendo tudo ficado ótimo (neste caso acabei participando também).
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil e ex-secretário de Obras na administração Wilson Moreira


