ESPAÇO ABERTO - Situações de risco
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de junho de 2004
Moacir Costa 
É mais comum as pessoas se mostrarem receptivas e desejosas de contato erótico em situações onde predomina o entendimento e a descontração. Por outro lado, chama a atenção e causa perplexidade que certas pessoas só se excitem sexualmente em situações de risco ou perigo.
O exemplo mais comum é o caso da mulher que tenta erotizar o parceiro durante um jantar formal na presença de mais pessoas. É também inusitada a história típica do casal que adora transar no elevador ou na garagem do prédio. E por último, o exemplo dos casais jovens que podem ir a um motel ou em suas casas, mas preferem fazer sexo no apertado banheiro da casa do anfitrião, enquanto ouvem o barulho da festa.
Essa preferência pode ocorrer tanto com o homem como com a mulher. Quem gosta de transar apenas em ocasiões de risco ou só sente desejo nessas condições precisa, sim, de tratamento psicológico. O parceiro tende a se ressentir emocionalmente pela preferência extravagante do outro. Quando embarca nas fantasias do amante está se forçando, muitas vezes, a fazer algo que não quer.
O melhor é conversar e mostrar que ter relações em lugares arriscados não é o normal e, muito menos, prazeroso. Claro que uma transa impetuosa e ousada pode acontecer ocasionalmente na vida de qualquer pessoa, a chamada ''rapidinha''. Não é disso que estamos tratando, mas, sim, de quem se excita exclusivamente quando faz amor em ocasiões adversas, seja na presença de outros, seja em lugares proibidos, seja quando tem expectativa de que alguém possa vê-lo.
O parceiro da pessoa compulsiva pode ficar ansioso, inseguro, angustiado e até magoado por causa do comportamento do outro. Sofre por tentar se encaixar no padrão pouco ortodoxo, mas não consegue.
O prazer maior de quem busca o perigo no sexo não é puramente erótico, mas, sim, voltado à presença de outra pessoa, a um estado de alerta. É alguém que só se excita se estiver correndo algum risco.
Sair dos limites habituais causa um grande mal-estar para o companheiro. O ideal é que ele procure parceiras iguais, que queiram viver perigosamente. Mas atrás dessa atitude existe uma boa dose de exibicionismo, uma necessidade de afirmação e de mostrar que se é diferente, maluco e ''original''.
A dificuldade de ter sempre disponível uma parceira para esses ''jogos excêntricos'' torna o sexo problemático e frustrante. É uma questão de tempo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


