O governo federal, juntamente com profissionais da área de saúde administrativa, definiu implantar o Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no Brasil. O sistema baseado no modelo francês, muito bem discutido, tem tudo para dar certo e ser um marco ao longo dos anos não só na urgência médica como na regulação médica em nosso país. Devemos alertar que não se trata somente de um sistema de atendimento móvel de urgência e sim de uma nova mudança em todo sistema de saúde de Londrina. Todos os pacientes em qualquer situação de emergência (clínica ou trauma) poderão solicitar o sistema e terão de alguma forma prontamente o encaminhamento de seu problema.
Isto não significa que haja a necessidade de haver vaga hospitalar (leitos comuns ou de UTI), é o que chamamos de sistema vaga zero. Isto é, ele tem como finalidade ser resolutivo e atender a população, modelo este que deu certo já em outros países. Tenho a certeza que é um sistema brilhante e tem tudo para trazer excelentes resultados ao longo do tempo. Devemos também, ter em mente, que as atuais emergências que o bom serviço prestado pelo Siate, criado somente para atender o trauma, deva aumentar em 60% a 70%. A maior parte das emergências são clínicas e dentre elas as cardiovasculares, enfarto e derrame.
É neste momento que entra o principal personagem desta história que mais uma vez foi esquecido e desvalorizado pelo setor público atual: o médico. O salário oferecido para este profissional é ainda menor do que os já baixos salários pagos em outras atividades do município. Caso este profissional não possa estar capacitado e descansado para atender e realizar a regulação médica, a resolutividade vai causar risco ao próprio paciente e levar o sistema de saúde do município a uma pior situação em que já se encontra.
O poder deste profissional de regulação neste momento de plantão é de autoridade máxima de saúde no município, a experiência, habilidade e rotatividade destes profissionais é sem dúvida o principal determinante do sucesso. Portanto, grau de responsabilidade e estresse ainda maior que o da profissão de médico. Espero que outros poderes públicos possam valorizar mais, não só o médico como também outros profissionais da saúde, pois isto sem dúvida vai refletir no sistema de saúde do município. Boa sorte Samu.

MANOEL FERNANDES CANESIN é médico em Londrina e diretor do departamento Emergências Cardiovasculares da Sociedade Brasileira de Cardiologia

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