ESPAÇO ABERTO - Similitude
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de dezembro de 2003
João Dias Ayress 
Quem, como aqueles que atingiram idade provecta, também de amadurecimento mental, devem estar como nós, agora, apreensivos. Imaginava-se que com o fantástico desenvolvimento tecno-científico ocorrido no mundo civilizado, iríamos desfrutar de uma fase de paz e tamanha prosperidade que por contiguidade, ou como nas reações químicas, por osmose, recebêssemos por intermédio de nossos governantes do passado e do presente, todas as boas conquistas do primeiro mundo, uma vez que os serviços de informações têm se tornado mais rápidos e eficientes.
Influências benéficas como contribuição para melhorar nossas condições de sofridas populações. Assim tem tentado a OMS, a FAO, o UNICEF, o Rotary International e outras organizações filantrópicas ou assistenciais, isentas de qualquer interesse político-sectário.
Este conceito pressupõe para o mundo que as condições mínimas para a sobrevivência estejam asseguradas. Tal não tem acontecido porque o homem na irracionalidade de instintos ainda arraigados desde os ''Pitecantropos erecectus'' armazena para si, sua clan, seu país, resíduos egoísticos que os levam a disputar posições de poder onde predominam os objetivos eleitoreiros.
Haja vista a última tendência insinuada na mídia no sentido de que, providências estão em andamento, no sentido de que psicólogas devem ser convocadas para atender os problemas depressivos que ocorrem com os ''sem emprego''. Dir-se-ia que nosso País dispõe de recursos incomensuráveis de profissionais dessa nobre atividade para espalhar-se entre os infelizes desempregados, na mais louvável tarefa de introjectá-los de esperanças na obtenção de trabalho.
Parece até que já atingimos pelo progresso das ciências o ''Admirável mundo novo'', de Aldous Huxsley ou de outros futurólogos otimistas. Assim analisamos, perdoem os leitores, as boas intenções de tecnólogos do atual governo.
Já repetia inumeráveis vezes meu saudoso pai, ''O futuro a Deus pertence''. Mas a fome e as necessidades prementes não podem esperar.
Não seria mais lógico e fácil, que nossos governantes observassem o que vem ocorrendo com a economia americana, desde ao instante que o governo determinou a queda dos juros em empréstimos e financiamentos, a todas as atividades produtivas e ao comércio em geral, ao invés de se projetar para um futuro incerto. Nosso futuro é agora.
Os exemplos não vêm só da América do Norte, mas também do Oriente. Por que então malhar em ferro frio?
JOÃO DIAS AYRES é médico em Londrina


