ESPAÇO ABERTO - Silêncio de culpados e inocentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de novembro de 2003
Renata Maciulis Dip 
Como explicar o silêncio da mídia ante a votação que estava agendada para a última terça-feira (19/11) sobre a legalização do aborto durante os 9 meses de gestação? Embora pareça filme de terror, é a triste (mas ainda evitável) realidade: há uma minoria de indivíduos querendo liberar o aborto no Brasil em qualquer idade gestacional e por qualquer razão.
O Projeto de Lei 1135/1991, dos deputados Eduardo Jorge (PT) e Sandra Starling (PT), entrou na pauta da Comissão Parlamentar da Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados Federais no dia 14 deste mês, e tal notícia não foi veiculada na imprensa, ao menos com o destaque que deveria.
Junto com este projeto, que é o mais amplo, foram anexados todos os demais projetos menos ambiciosos, como os que aprovam o aborto até o terceiro mês de gestação, de modo que se o PL 1135/1991 for rejeitado, todos os demais serão rejeitados em conjunto e definitivamente.
Há pouco mais de 100 anos, havia pessoas que fingiam acreditar que negro não era gente, que podia ser escravizado. Parece que evoluímos pouco desde então: fingimos acreditar que a criança não nascida não é gente!
Caro leitor: desde quando você se considera gente? É claro que desde a fusão do espermatozóide com o óvulo! Ou então, naquela época você seria o quê?
''Criança que não é querida não deve nascer''. A história já nos provou repetidas vezes que não corrigimos um erro com outro. Nada justifica tirar a vida de um ser humano, ainda mais inocente! Se, pelas razões que já conhecemos, uma pessoa não quer ficar com o filho, que o entregue após o seu nascimento. Há vários casais procurando um bebê para adotar.
Uma vez, apresentou-se uma mãe de vários filhos, com dificuldades econômicas, querendo abortar o da gestação atual. O médico lhe pediu que trouxesse o filho mais velho, poderia matar a esse, pois era o que comia e gastava mais. Não são necessárias mais explicações.
Com os atuais recursos da ultrassonografia basta assistir à reação de um feto durante um aborto para ver como a vida sofre e tenta se defender ante tamanha agressão. Queremos um governo que jogue limpo conosco e não faça as coisas de modo escondido. De nossa parte, cada um no seu ambiente, podemos e devemos impedir a legalização desse crime.
RENATA MACIULIS DIP é médica em Londrina
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