É preocupante o aumento nesses últimos anos de pessoas que se tornaram obesas. Nos Estados Unidos a obesidade é hoje um dos problemas mais sérios de saúde pública e responsável pelo gasto de bilhões de dólares, com sérias conseqüências psicossociais e econômicas.
  No Brasil, o problema ainda não tem essa dimensão, mas caminhamos também nessa direção. Os distúrbios endócrinos, psicológicos e problemas de herança familiar associados aos hábitos alimentares (sanduíches, doces em excesso) são os principais responsáveis pela obesidade.
  O impacto psicológico para algumas pessoas obesas é altamente devastador, comprometendo sua relação com o corpo. Historicamente constitui uma fonte de conflitos na vida afetiva e sexual, gerando baixa estima e estados de tristeza e depressão, principalmente quando as tentativas de regime passam a ser uma busca obsessiva: produtos naturais, medicamentos que reduzem a absorção de gorduras, antidepressivos, exercícios físicos e perigosas fórmulas à base de anfetamina, esses últimos trazendo riscos a saúde, e depois de emagrecer faz com que a pessoa volte a ser obesa.
  Nos últimos anos, os Spas proliferaram e muita gente conseguiu, nessas pseudo-internações, disciplina alimentar e redução do stress e parecem ter feito um aprendizado, conciliando hábito alimentar, vida ativa e exercícios físicos.
  O importante é reconhecer que a obesidade compromete a imagem corporal, reduz o desejo sexual em homens e mulheres pela pouca atratividade e indiferença aos estímulos eróticos, e prejuízo ao relacionamento afetivo. A pessoa obesa se sente discriminada; é difícil encontrar uma roupa que se ajuste ao seu corpo e isso leva a um estado de desânimo permanente.
  Alguns obesos relatam períodos de incapacidade mecânica no ato sexual, frustrando a si próprios e o(a) parceiro(a), facilitando os relacionamentos extra-conjugais.
  Por outro lado, determinadas pessoas que evoluíram para a chamada obesidade mórbida, todos esses recursos citados parecem não ser de grande valia. A orientação segura e objetiva nessas circunstâncias é a cirurgia de redução do estômago que tem mostrado resultados positivos e definitivos.
  Nesses casos é necessário um período inicial de 3 a 6 meses de adaptação ao novo hábito alimentar, e também reorganização emocional pela redução da massa corporal, que apesar de penosa fez parte da vida e da maneira de ser de cada obeso.
  A retomada do desejo sexual vai ocorrendo de forma gradual, bem como a vivência do prazer.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São PauloAutor do livro ’’

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