ESPAÇO ABERTO - Sexo seguro: falácia fúnebre
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Calvino Coutinho Fernandes 
Vocês conhecem os efeitos contraproducentes de programas ''abrangentes'' de controle da natalidade e de educação sexual nas escolas, como o desastre de Virgínia nos EUA? Entre 1989 e 1990 implementou-se um programa para educação sexual no estado da Virgínia do jardim da infância até a décima série. Hoje as estatísticas demonstraram que ficou claro que este programa não reduz a promiscuidade, não reduz a gravidez, o aborto, nem as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) entre os adolescentes.
Os adolescentes que foram submetidos a essa educação sexual ''abrangente'', têm muito mais chance de se envolver no intercurso sexual pré-marital do que os que não tiveram nenhum tipo de educação sexual.
Um programa isento de valores, moralmente neutro, que tem sido sugerido inclusive em nosso País, é equivocado e imediatista, pois não pode haver saúde emocional na ausência de padrões morais e de um sentido de responsabilidade humana e social.
Quando mal conduzida, a ''educação sexual'' desperta sentimentos sexuais e sensuais nas crianças e adolescentes e leva a um conflito íntimo sobre o que é certo, especialmente se for ensinada como moralmente neutra, no sentido de que ''tudo é permitido''.
Esta deseducação do tipo ''faça o que for melhor para você'', servirá para enfraquecer qualquer decisão que o adolescente possa ter feito para tentar abster-se do sexo prematuramente.
Este tipo de educação sexual abrangente usava o termo sexo seguro para estimular o uso do preservativo, após forte oposição das pesquisas médicas sobre a porcentagem de falhas das camisinhas e de outros métodos anticoncepcionais, eles mudaram a frase para ''sexo mais seguro''.
O preservativo garante segurança contra a gravidez indesejada? Não. Abaixo dos 18 anos a porcentagem de gravidez indesejada, com a camisinha é de 18,4% por ano. Todos os métodos apresentam um índice de falha. A pílula falha em torno de 3% a 10% na prevenção da gravidez e não protege contra as DSTs.
Inúmeras pesquisas têm demonstrado que uma educação sexual isenta de valores morais e éticos não funciona, é inócua, ou até mesmo prejudicial à saúde dos adolescentes, que podem pagar caro com doenças físicas e/ou mentais. Por esta razão novos métodos de educação sexual que contam com a participação dos familiares e incluem ética e moral estão sendo usados e com sucesso.
Como exemplo, gostaria de citar o programa Sexuality, Commitment e Family (sexualidade, compromisso e família) implantado entre em 1983 e 1984 na escola de San Marcos na Califórnia, onde quase toda a comunidade estava de acordo que a educação sobre a abstinência era a perspectiva a ser ensinada. Esse programa coloca a informação numa estrutura moral e conseguiu reduzir drasticamente a gravidez na adolescência de 20% em 1984 para 2,5% em 1986 e finalmente para 1,5% em 1988.
É bom ressaltar que este programa em 1988 ganhou o prêmio da Califórnia por apresentar a taxa mais baixa de abandono escolar. Uma vez que o único método realmente seguro para evitar a gravidez e as DSTs é a abstinência sexual antes do casamento.
Está na hora de repensarmos os métodos de abordagem destituídos de valores morais. Nossos filhos querem afeto e nós damos camisinhas, querem comunicação e nós erguemos o som do televisor, querem aconselhamento e nós atiramos aulas de aparelho reprodutor. Vamos sentar juntos: escola, família, igreja, instituições interessadas e traçar um plano de ajuda aos pais e adolescentes antes que seja tarde demais e só reste os escombros das ''metamorfoses'' da vida.
CALVINO COUTINHO FERNANDES é sexólogo e ginecologista em Londrina


