ESPAÇO ABERTO - Sexo se aprende em casa
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de outubro de 2004
Moacir Costa 
A sexualidade nasce com a pessoa e é em casa, no seio familiar, que ela irá encontrar respaldo ou não para vivenciar desde muito cedo as suas descobertas em relação ao corpo e sua identidade.
Infelizmente, a repressão sexual vem sendo passada de mãe para filha, de geração em geração, mesmo que, aparentemente, as coisas estejam - e pareçam - liberais. Mas é só a embalagem, a mídia, os cartazes de mulheres nuas nas ruas. Essa erotização exagerada dá a impressão de que as pessoas estão mais soltas e felizes com o próprio corpo. Ledo engano. Há ainda uma educação negativa do sexo.
Nas culturas orientais, em algumas tribos do Pacífico Sul, a sexualidade brota de forma mais natural e o corpo é vivenciado de maneira integral.
Em outras culturas, como nos países islâmicos, a repressão é terrível e a mulher, apenas um objeto ou, melhor, uma escrava. Apedrejada e condenada à morte quando faz sexo fora do casamento, ela não é dona de si mesmo e nem do próprio corpo.
Já as mulheres brasileiras, aos poucos, vêm se apropriando do seu corpo e lutando pela conquista do prazer. Mas é preciso mais: ainda existe muita vergonha, medo e preconceito. Também por medo e preconceito, os pais transmitem aos filhos e especialmente às filhas, que o corpo deve ser motivo de vergonha, a sexualidade, assim, brota no universo do proibido, observada pelo buraco da fechadura.
Já quando os pais transmitem aos filhos a importância de um relacionamento pontuado pelo carinho e pelo amor, a coisa é diferente. São, em geral, casais que passeiam de mãos dadas junto com os filhos e se beijam com naturalidade. A mãe se aceita como mulher e, mesmo que nunca tenha circulado nua diante da filha (esses hábitos são absolutamente pessoais), passa a idéia de que gosta de seu corpo e que tem orgulho dele. Isso pode parecer uma bobagem, mas não é. A criança está assimilando tudo, desde a idade mais tenra. É como uma esponja, que absorve o que vê e recebe da família.
A família, portanto, exerce um papel fundamental na formação de homens e mulheres. Quando a criança vê e aprende que é valorizada pelo que é, e que não precisa se transformar em outra pessoa para ser aceita, tende a crescer com auto-estima e autoconfiança, características essenciais para viver bem e ser feliz, lutando pelo que realmente quer.
E o que isso tem a ver com sexualidade? Tudo. Quando as pessoas têm liberdade de expressar seus sentimentos e suas emoções, conseguem viver com alegria e autoconfiança.
A sexualidade saudável é fruto da capacidade de viver e se relacionar com o outro desfrutando o prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo e autor do livro: ''Mulher - A conquista da liberdade e do prazer''


