ESPAÇO ABERTO - Sexo na internet
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de março de 2004
Moacir Costa 
Como todos sabem sexo sempre foi uma mercadoria que se bem embalada vende com facilidade. Isso é facilmente explicado pela enxurrada de textos, por exemplo, como deixar um homem louco na cama, use um novo afrodisíaco para melhorar a sua performance sexual e assim por diante.
Mais recentemente com o boom da Internet, mais de 60% das pessoas que acessam essa rede estão interessadas em sexo. Existe um cardápio à la carte para os homens; eles escolhem posições, situações entre jovens adolescentes, mulheres asiáticas, negras, brancas, gordas, velhas, novas, sexo hard, sexo soft. Com mais close ou menos close, pode-se escolher à vontade.
O mais interessante é que os apelos em sua esmagadora maioria são dirigidos ao público masculino com a preocupação de mostrar apenas a mulher proporcionando prazer ao homem. Por outro lado, poucas imagens são mostradas que possam levar a mulher a criar novas fantasias e aumentar o seu desejo sexual.
As revistas de homens nus, em tese, dirigidas ao público gay masculino, acabam fazendo muito sucesso entre as mulheres. Ou seja, será que o visual erótico também não estimula a mulher que não necessita de tanto romantismo quanto se pensa?
Na história de vida das mulheres existem algumas constatações repressoras que são inegáveis: o corpo que acha bonito e sensual nem sempre é o dela, às vezes o da outra, ou quando recorrem a alguma fantasia sexual (tendo parceiro fixo) ficam assustadas.
Infelizmente essa busca compulsiva via Internet para estimular o desejo dos homens, na prática tem funcionado muito pouco, ao constatar-se que quase 50% deles acima de 50/55 anos, apresentam algum grau de dificuldade sexual, sendo o distúrbio do prazer (ejaculação precoce) e as falhas de ereção, as mais comuns e ameaçadoras. É importante assinalar que apenas 20% desses homens estão buscando alguma forma de tratamento, apesar do surgimento do Viagra e outros medicamentos.
O que sobra disso tudo é que os homens falam muito e procuram sexo obsessivamente na Internet, mas estão inseguros, infelizes e fazem pouco sexo. Existe aí um mercado desprezado para as mulheres, uma vez que poucas imagens eróticas são oferecidas que possam excitá-las.
A constatação é que existem dois mundos com suas diferenças, que se não entendidas, continuarão a ser fontes de frustrações e desprazer, apesar da crescente disponibilidade dos sites sexuais na Internet.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor, caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br


